ESPECIAL ORÇAMENTO PARTICIPATIVO 2018

ESPECIAL ORÇAMENTO PARTICIPATIVO 2018 | Sugira sua emenda nos comentários. Vote nas enquetes. Dê sua opinião. Ajude nosso mandato a ser verdadeiramente popular e participativo!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Contos de Ano Novo...você acredita???


***** O Deputado Federal Dr. Paulo César e o Jornalista-empresário Moacir Cabral conversavam animadamente na esquina do Bar 90 Graus, no domingo à tarde. Parece que o acordo seria o seguinte: O médico-deputado-candidato teria uma coluna sobre ética na política no Jornal Folha dos Lagos, enquanto Cabral abriria um empreendimento no Araçá para ajudar a campanha do Dr., que se baseia na periferia, embora o povo de lá continue dizendo que ainda não viu o médico por lá, muito menos sua mão, que pelo menos até 2004, era a que salvava...

***** O velhinho do rock é a sensação das férias cabofrienses. Alugando um apê no final da Francisco Mendes, esquina com a Avenida Litorânea, o turista da quarta idade exibe todos os dias na varanda uma caixa de som de grande tamanho e enorme potência, acompanhando no baixo e na guitarra (não necessariamente ao mesmo tempo nem nessa mesma ordem) músicas de Led Zepellin e outras feras, num show caseiro que atrai vários transeuntes praianos. Rola o boato fortemente nervoso de que o coroa já transferiu seu título para nossa cidade, e poderá integrar a Chapa "Loucos por Cabo Frio", que concorrerá ao governo Municipal em 2008. A Chapa já conta com as presenças confirmadas de Animal de Cabo Frio, Diana do Sinal das Sendas, Lacraia da Praia do Forte e outros mitos. O Professor Chicão estuda a possibilidade de encaixar o vovô boladão no próximo Festival de Rock Humanitário do ano que vem, e seu contrato já está fechado com o Cabo Frio Rock 2008, onde tocará ao lado de Pitty, vestindo apenas sua micro-sunga azul-marinho, como já é tradicional na varanda-acústica do velho moço. A expectativa é pelo modelito da rockeira que, esperamos, acompanhe o do vovô num estilo praia bem informal e minúsculo, por assim dizer. Afinal, respeito aos mais velhos é fundamental...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Crítica que te quero Crônica...


Créu...

Ontem, totalmente concentrado nas movimentações sócio-etílicas em um estabelecimento cervejístico próximo à Praia, desisti de fazer-me presente ao show do Cidade Negra, apesar das fortes insistências da ala feminina que rodeava o grupo de filósofos que à minha mesa se sentava. Tal qual a raposa de Fedro, observei o fruto e não o toquei, desistindo. Porém, mais esperto que ela, o fiz por causa de outro fruto que me aguardava, a dourada e alucinógena mistura do lúpulo com o malte denominada vulgarmente Cerveja, ou ainda, em regiões periféricas - onde não passeiam os adesivos do Dr. Paulo César - chamada também de Cerva, Gelada, ou ainda Pescoçuda. Ocorre que o grupo pensante que ali se reunia passou a enumerar sábios motivos pelos quais a banda que se apresentava naquela noite não mereceria nossa presença. E o bode expiatório de nossas proféticas reflexões foi o vocalista Toni Garrido. Embriagados pelo doce-diet néctar da reflexão político-cachaçal, enumeramos alguns fortes motivos para preferir a mesa do bar à presença do Garrido. E aqui vão eles.

Em primeiro lugar o nome do cara. Um dos mais escrotos já vistos no meio musical. O que é Garrido? Esta palavra que só conhecemos do Hino Nacional como adjetivo de uma Terra, que na verdade é Garrida. E Toni...sem comentários.

Em segundo lugar, é o dread mais esquisito que já vi no meio artístico. Medusa gargalharia.

Em terceiro lugar, o cara apresentou o Fama junto com a Angélica. Isso é baixo.

Em quarto lugar, a cena mais ridícula de um DVD foi a do show do Cidade Negra, onde os presentes, durante a música "Girassol", balançaram a flor que dá nome à música durante sua execução. A visão de diversos girassóis balançados pelo público durante a canção é de rolar de rir, parecia uma festa da LBV.

Em quinto lugar, essa coisa de "do coração de quem faz guerra nascerá uma flor amarela" é plágio da poesia de Carlos Drummond de Andrade que diz "depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas", se referindo aos homens que promovem a guerra.

Em sexto lugar, o cara fez Orfeu no cinema. Foi ridículo.

Quando parecia sobrarem motivos para repudiramos o show que se desenrolava, aparece um membro retardatário do clube filosófico que ali se unia em uma oposição vermelha ao Cidade Negra. Eis que este súbito rapaz anuncia o fim do evento e afirma que o mesmo foi encerrado com a canção "Monte Castelo", de Renato Russo, quando Toni Garrido deixara bem claro que "a letra é baseada na Carta de São Paulo galeraaa!"

Consternação geral. A vigésima quinta saideira é solicitada. Conclui-se democraticamente que até o MC Créu, cujas "canções" ludibriavam nossos ouvidos naquele estabelecimento, valeria mais à pena, já que alma era a pequena. "Pra dançar créu tem que ter disposição. Pra dançar créu tem que ter habilidade". Créu neles.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

ARTIGO...

JOSÉ, POR QUE NÃO TE CALAS?
Uma retrospectiva da Cabo Frio de 2007

Publicada no Jornal Domingo dos Lagos em 29/30 de dezembro de 2007

E agora José? A império ganhou, a Vermelho e Branco caiu, mas a morada do Samba surgiu, enquanto o presidente quase saiu. E agora José? A Cabofriense cresceu, o Futsal venceu, o Club Med polemizou e da Reserva do Peró se esqueceu. E agora? As lojas continuaram oprimindo seus funcionários até altas horas (sem o Groisman), o verão permaneceu acorrentando os empregados em feriados, e alguns empregados públicos continuaram arrastando suas correntes pelas casas bem-assombradas. E agora José? Mas e agora? O Shopping da Wilson Mendes pode chegar, a CEFET pode surgir e a carceragem da 126 pode deixar de ser circo de dia e pau-de-arara à noite - depende do agora, depende do José - mas e agora José? As Secretarias se multiplicaram, o Secretário virou Vereador que virou radialista, as cadeiras dançaram e a criança-povo pagou a prenda. O Prefeito que já foi Deputado brigou com o Deputado que já foi Prefeito, a Caloi afundou no Canal, o sorriso ficou amarelo, a peruca gerou apelidos, a lista de Schindler cantou, mas e agora José? Pega a moto no Jacaré, tira a moto no Jacaré, rema-rema-remador, o anel que tu me deste era político e quebrou... e chega a lista do IBASCAF, vamos ver quem aposentou: rema-rema-seu doutor. O Sanny chocou, mas onde está agora? Pegaram Mantena, pegaram Pingo, mataram Turuca. Encontra-se corpo infantil em Arraial, mas e a violência José? Sob controle patrão! E aparece jornal novo, e aparece canal novo, e viva a liberdade de imprensa – até onde o Deputado-Presidente-Candidato-Cabelinho deixar. E viva a baixaria na TV, nas páginas do jornal, e vivam os cartões de todas as cores, de todos os xingamentos e baixos calões. E viva a mentira, viva a boataria, mas e agora José? Vai ficar na fofoca? Tem que pagar a conta da água, que não é mais portuguesa, então porque não te calas? E vai para o banco pagar, e o banco tem fila sem bancos de espera; os bancos de espera dependem dos bancos que bancam. Espera: Tem fila. Nem adianta esperar. Moção de Repúdio, Lei, Processo, multa...e agora José? Vereadores na Rádio, Seção da Sessão ao povo...nova sessão de enchente - enchente III no Eldorado II...e agora José? Municipaliza o CIEP ou não municipaliza? E tira horário integral mas não tira, e grita o professor, e vejam os alunos nas ruas, e queima o uniforme sem queima de arquivo, bonecos na camisa, camisa na parede do Prefeito, alunos nas ruas - já disse José - mas e agora? Passe-livre na moda, cartão cidadão que não era cartão estudante, mas tornou-se cartão aluno. Protesto na rua, protesto no Plenário... e fala besteira o Secretário, de Massa para a massa, e tenta consertar, e fala besteira maior: Por que não te calas ??? E lança uma candidatura, e lança outra acolá: Café da manhã, Tamoyo, entrevista...lança-candidato, lança-perfume, e lança-político-no-meio-do-mar-cheio-de-tubarão: Viva o sonho nacional!! E agora José? Olha o slogan sem graça, sem concordância verbal nem nominal, sem concordância eleitoral. E lança adesivo da pré-pré-candidatura (deveriam voltar à pré-escola). E fecha-se a rua da CBB, e diz-se que o terreno é particular, e fica na promessa. Porque não te calas? Faz-se Dormitório das Garças, põe os peixes a dormir no sono eterno, na Lagoa de Araruama...salve a Laguna, salve a Prolagos, salvem as algas, salve o dinheiro mal gasto, salve o investimento ambiental que faz os peixes morrerem. E agora José, por que não te calas? Por que permaneces chiando, chorando, gemendo e cantando; pensando, tremendo, correndo e andando? Porque insiste, e gritas, e falas; profetizas e paras; porque não desiste, reflete, critica, escreve - ninguém lê... porque não te calas José? Não te calas porque é pescador, salineiro, quilombola, sangue vermelho; não te calas porque é negro, branco, pardo, amarelo, multicor; não te calas porque plantas na Agrisa, colhes na Rasa, ceifa em Santo Antônio, caças em Tamoios, danças no Itajuru, vendes no Peró, dormes no Jacaré. Por que não te calas José? Porque 2007 passou. Porque o ano novo chegou pra valer. E agora, José? Viva o meu 2008, que só depende de você.

Um feliz 2008 a todos!!

Um pouco de poesia (ou seja lá o que isso for)

Depende

(ou uma independente análise de um 2007)

2007 foi bom ou ruim?
Depende...
Reencontrei a paixão(dependendo do que você entende por paixão...)
Encontrei meu caminho acadêmico
Mas depende
Do que você entende por caminho
Do que o caminho entende da academia
Do que o depende entende de você
Aí depende...
Redescobri o valor da amizade
No equilíbrio de uma vida sóbria
Dependendo do que você entende de tudo isso
Perdi no futebol, ganhei no esporte
Perdi na política, ganhei nos companheiros
Perdi no carnaval, ganhei na folia
Ganhei na pena
Ganhei na garra
Dependendo do que você entende por ganhar
Dependendo do que se entende por perder
E na família ?
Aí depende...
Mas independente do que depende
Acertei mais que errei
E quando errei entendi o crescer(dependendo do que você entenda por estatística)
Conheci novos bares, novos rostos, novas vozes
Conheci novos abraços, novas máscaras e copos
Mais do que no ano passado
Conheci novos companheiros
Conheci novas gavetas do meu ideal
Dependendo do que você entende por conhecer
Perdi um pedaço da Fé
Ganhei outros três(saí no lucro)
E nas novas sendas da crença
Apoiei-me no corrimão do pecado
Sem o qual jamais poderia caminhar
Talvez até porque ele não exista
Dependendo do que você entende por pecado
E dependendo do que você entenda por perfeito
Dependendo do que se entenda por ano
Dá pra dizer, meio sussurrando
Que 2007 foi perfeito
E dependendo do que você entende do que virá
Do que eu quero
Do que há de ser
Dá pra dizer que o meu 2008
Só depende de você

ARTIGO...



EU NÃO GOSTO DO NATAL
Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 22/23 de dezembro de 2007

Eu não gosto do Natal. Primeiro porque é a comemoração do Nascimento de Jesus na data que ele não nasceu, aliás, numa data escolhida por ser dia de louvor a um deus romano, um deus “pagão”. Eu não gosto do Natal. Não gosto porque é mais uma data com sentimento fabricado pelo comércio para angariar lucros em cima da classe trabalhadora com seus sub-salários. Eu não gosto de Natal. É um momento onde todos “se unem” para ajudar os mais necessitados, na verdade, para ficarem com a consciência tranqüila de um dever cumprido num dia do ano, vivendo de regalias e consumismos o ano inteiro. Eu não gosto do Natal porque é o dia em que enchemos nossas mesas de uma farta ceia, pedindo a Deus que abençoe a nossa incoerência, ajudando aqueles que não comem, durante todos os dias do ano, dez por cento do que comemos na noite do dia 24 de dezembro. Eu não Gosto do Natal. Não gosto porque vejo ruas cheias de pessoas com sacolas penduradas aos montes, trânsito infernal, com o objetivo de comprar mais e mais presentes, sem que ninguém se pergunte o que isso tem a ver com um tal Salvador do Mundo que nasce numa manjedoura em Belém. Eu não gosto do Natal porque é um dia de ficarmos presos a tradições cristãs num Estado laico: Missa do Galo, Novenas aos montes, árvores de Natal. Fora tradições não-cristãs, que parecem eternos replays de um filme de terror: Papais Noéis em roupas nada tropicais; renas em um país equatorial; trenós num trânsito caótico (da Avenida Paulista à Teixeira e Souza). Eu não gosto do Natal. Não gosto porque é a desculpa para parentes chatos te visitarem, fora a obrigação de presentear até a própria sogra – Um despautério! Não gosto do Natal porque o noticiário muda: Saem os mensalões e CPMF’s e entram as campanhas assistencialistas e o Natal de Luzes do Sul. Eu não gosto do Natal porque é a única data em que você tem de comprar presente para um amigo oculto que em geral não é amigo e que nem mesmo é oculto, porque você sabe quem é.

Mas há um motivo principal pelo qual eu não gosto do Natal: Não gosto do Natal porque ele destrói toda a minha falta de sensibilidade, minha mesquinhez, meu ser ranzinza, minha avareza. Não gosto do Natal porque ele destrói meus pensamentos provincianos de esquerda, minhas idéias pseudo-revolucionárias. Não gosto do Natal porque o verdadeiro Natal anula todas as críticas que fiz no parágrafo acima. Na verdade, acho que eu não gosto é de mim.


Não gosto de mim quando prefiro criticar a data numérica de um acontecimento importante como o nascimento de Cristo, ao invés de pensar no seu significado. Não gosto de mim quando não percebo que, por trás do apelo econômico e do interesse comercial - que de fato existe e é sórdido - há um sentimento bem brasileiro de presentear as pessoas amadas e vê-las felizes, de festejar, ao menos uma vez no ano, porque a opressão do trabalho semi-escravo impede que isso ocorra em outras datas. Não gosto de mim quando não alcanço a compreensão de que é melhor haver atitudes de caridade uma vez ao ano do que não haver nenhuma o ano inteiro. Não gosto de mim quando não percebo minha própria hipocrisia, quando não enxergo que a mesa “farta” do pobre no Natal se dá após a união de suadas economias por meses, com intuito de promover uma noite apenas de felicidade no ano para uma família que sofre em todas as suas 365 luas. Eu não gosto de mim quando percebo minha falta de sensibilidade – o que custa comprar presentes e enfrentar o trânsito para ver meus filhos, amigos e parentes felizes? Não gosto de mim. Não gosto de mim quando não percebo que caridade e sentimento de afeição pelo próximo tem tudo a ver com o nascimento de Cristo, desde que não sejam sentimentos fabricados e momentâneos. Não gosto de mim quando não noto que a Fé e as tradições cristãs são enraizadas na cultura brasileira e ajudaram a construir nossa história, sendo ela bela ou feia. Eu não gosto de mim. Não gosto de mim quando perco a oportunidade única no ano de estar com familiares e parentes distantes, reatar laços, preferindo criticar e analisar friamente as relações “sociais” natalinas. Não gosto de mim quando não percebo que o espírito natalino, a caridade, os presentes, as reflexões e as festas podem ser um fio de alegria para um povo sofrido; um fio de esperança numa sociedade tão vazia de sentimentos comunitários e fraternidade.

Gostemos do Natal. Gostemos de nós. Nem uma noite apenas de magia, nem uma noite apenas de hipocrisia. Se o problema é ser o Natal apenas um dia de caridade e fraternidade no ano, porque não trabalharmos para transformar todo o dia em natal, ao invés de retirarmos do dia 25 o seu valor? Talvez porque seja mais fácil destruir que construir. Talvez nossas críticas “corajosas” sejam meras covardias infantis disfarçadas de heroísmo.

Um Feliz Natal-de-todos-os-dias pra você...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

MIGALHAS...

Da série "Piada políticas infames..."

E a festa que o ex-Prefeito Alair Corrêa promove todos os anos, apelidada de FESTA DO BRANCO, corre o risco de ser embargada por uma Liminar, e talvez não aconteça. A alegação é que a temática da festa fere a legislação e os princípios jurídicos que dizem respeito à discriminação racial, já que se não for com branco, ninguém entra...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

MIGALHAS...


No último sábado os transeuntes cabofrienses puderam contemplar uma alegre (no bom sentido) e florida mesa (no bom sentido também) no Cyber Café da Praça Porto Rocha, ocupada pelos ilustres Professor Totonho, Octávio Perelló, Eduardo Chanel e outros. Foi sentida a presença de outros membros clássicos do Clã, como Aroldinho, Professor Chicão, Rebel e Professor Babade. A turma do café se reúne sempre aos sábados, sem hora pra começar. Nem para acabar.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

COLUNA "JUVENTUDE TEM VOZ" - Todo sábado e domingo, no Jornal Domingos dos Lagos

A MINHA GERAÇÃO É MELHOR QUE A DOS MEUS PAIS
Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 15/16 de dezembro de 2007

“Antigamente era melhor”, “a juventude da minha época sabia viver” ou ainda “a minha geração era bem melhor que essa”: Frases que ouvimos constantemente em análises e conversas sobre nossos jovens de hoje. Cabe-nos afirmar: A nossa geração, nossa juventude de hoje, é bem melhor que a juventude, a geração dos meus pais. Menos em um aspecto. E podemos provar.

Críticas constantes são feitas ao nosso jeito de vestir, ao apelo sexual de nossas vestes. O uso de brincos e outros elementos de vestuário por homens é taxado, de maneira homofóbica, como tendência homossexual. Realmente: Calças boca-de-sino eram lindas, fora os cabelos grandes do povo da jovem guarda, extremamente “masculinos”, sem contar que camisas de seda que deixavam o tórax à mostra e revelavam medalhões de prata não eram nada apelativos sexualmente nem ostentadores de pseudo-riquezas... um recente vídeo-arquivo exibido Na Record News mostrava a casta Wanderléia, há cerca de 30 anos, com um vestido muito curto para uma geração tão pura.

A música é o melhor exemplo: Claro que o “funk proibido” e outras manifestações nos desqualificam, mas não podemos esquecer de letras como “Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela, o pobre é humilhado, esculachado na favela” e “o funk não é modismo, é uma necessidade, é pra calar os gemidos que existem nessa cidade”, sem dúvida menos idiotas e imbecis do que “splish-splash”, “biquíni de bolinha amarelinho”, “Dominique nique nique” ou “pare de tomar a pílula”, aberrações vazias e infantis, que ficam anos-luz atrás da atual geração de compositores como Jorge Vercilo, Vander Lee, Los Hermanos, Djavan, Pedro Luís e outros. O Rock de hoje ainda é manifestação de consciência social, quando não tem mais a mídia de gerações anteriores, tendo de lutar por vezes no submundo da produção independente quando traz letras críticas. Nossos movimentos Rap e Hip-Hop, com letras inteligentes sobre a realidade dos subúrbios, passam por situação semelhante. Se nossa geração é vazia, o que dizer de uma jovem guarda que só queria saber de “calhambeque bi-bi”, “mil garotas querendo me namorar” e coisas do tipo?

Sobre a questão do vício e das drogas, lembro que não foi a minha geração que participou do festival de Woodstock, onde milhares de pessoas se drogaram, nem foi a minha juventude que criou o movimento Hippie, historicamente gerador do boom de drogas como a maconha no ocidente, embora tenha marcado o mundo com uma admirável filosofia de vida. Também não foi a minha geração que espalhou a Heroína pelo mundo, na 2a Guerra Mundial e na Guerra do Vietnam. O Ecstasy, droga definida como da minha geração, foi patenteada na Alemanha em 1914 e usada pelos soldados americanos na 1a e 2a Guerras Mundiais e no Vietnam, como supressor de apetite. Nossa geração apenas colhe o que nossos pais e avós “plantaram” com muita “eficiência” para nós.

A pornochanchada como gênero de cinema foi criada na década de 70: Nada mais que filmes baixos, com uma pornografia provinciana, onde as “mentes brilhantes” eram os “grandes” Jece Valadão, Flávio Nogueira e David Cardozo. Minha geração tem estrelas de cinema de verdade: Wagner Moura, Lázaro Ramos, Selton Mello, Mateus Nachtergaele. Temos filmes de verdade como Carandiru, Cidade de Deus, Central do Brasil e outros. Ou será que é mais interessante assistir “Patty, a Mulher Proibida” (1979), “Bonecas Diabólicas” (1975), “Seduzidas pelo Demônio” (1975) ou “Amadas e Violentadas” (1975) ?

A safra atual de pensadores também parece boa para uma geração vazia... Peter Singer, Lipovtsky, Luc Ferry, Giorgio Agamben e Simon Blackburn. Conhecem alguns deles? Talvez não. Não são famosos. Não vale a pena falar deles, que tiveram suas idéias e livros estourados na minha geração, porque é preciso convencer as pessoas de que a fase atual é de aridez filosófica, a fim de louvar o passado.

Apenas na atuação política, na militância, na consciência estudantil e ideológica é que a nossa juventude deve ter inveja da geração dos nossos pais. Necessário é aprender com eles, embora os tempos fossem outros, como lutar por direitos, como ir às ruas, como articular reivindicações. Mas há esperanças, com o desenvolvimento de Grêmios, Diretórios Acadêmicos, movimentos sociais, culturais e políticos de juventude que afloram em nossa cidade. O primeiro passo é valorizar-se e concluir: Em (quase) todos os outros aspectos, nossa juventude não deve em nada à geração de nossos pais. Chega de “ah, como era bom!”. Eu acredito é na rapaziada que segue em frente e segura o rojão...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

ARTIGO...

A QUEDA DA CPMF - ALGUMAS REFLEXÕES...

Caiu, caiu 1º de abril, ou melhor, caiu 12 de dezembro de 2007: É o fim da contribuição provisória mais permanente da recente história da democracia nacional...ontem o Senado derrubou (talvez) de vez a CPMF no Brasil

Em primeiro lugar, é necessário analisar a total desobediência aos princípios democráticos quando o Governo apresentou proposta de prorrogação de uma contribuição provisória. Se a vontade do povo, teoricamente manifestada quando da instauração da CPMF, foi de que ela fosse provisória, deveriam os governos terem movimentado-se anos antes do término de sua vigência para, gradativamente, reduzir os impactos financeiros do fim da contribuição, o que não foi feito.

Em segundo lugar, deve-se lembrar que o impacto financeiro da CPMF também deveria ter sido diagnosticado, ou seja, até que ponto e sob quais alíquotas e porcentagens os recursos oriundos dessa contribuição iriam de fato para Saúde? Lembramos que tal ação denomina-se Auditoria Popular de Contas Públicas, procedimento que defendemos ser feito em nossa cidade com a Autoviação Salineira. Mas isso é uma outra história...

Bom, acontece que essas considerações deveriam ser feitas antes da proposta de prorrogação. Feita a proposta, surge o problema: Se vota-se a favor da prorrogação, destrói-se a democracia e as decisões legalmente instituídas, destrói-se a natureza da Contribuição - que deixa de ser provisória - e destrói-se a credibilidade do legislador em prol do lucro para os cofres públicos. Se vota-se contra, de maneira inconsequente rasga o orçamento da União e onera-se a destinação de recursos à saúde, por exemplo, podendo desregular a balança financeira dos gastos públicos sociais, o que poderia questionar-se com a Auditoria Popular de Contas Públicas, mas que não foi feita.

Qual seria a solução? Obviamente, uma política de terceira via, de conciliação, como a emenda apresentada pelo Deputado Paulinho do PDT, que propunha a redução gradativa das alíquotas da CPMF, até ser zerada. Assim, o povo ficava menos onerado e o Governo não tomaria um choque de redução de tributos numa só facada, equilibrando as finanças, deixando todo mundo feliz e ao mesmo tempo extinguindo a CPMF, ainda que paulatinamente.

O engraçado é que o PDT, que deveria manifestar políticas de terceira via, de tendência socialista européia, não apoiou a proposta do Deputado, que retirou a Emenda, já que o Partido preferiu manter-se na base do Governo, votando a favor da prorrogação e destruindo a independência parlamentar que sempre marcou a legenda. Aí gerou-se a confusão política, quando nos dois turnos antes de passar pelo Senado, dois Deputados do PDT votaram contra a prorrogação (Barbosa Neto, do Paraná e Enio Bacci , do Rio Grande do Sul), embora a orientação partidária tenha sido a aprovação. Isso por um lado é bom, porque mostra a independência de certos parlamentares da legenda, o que não ocorre em outros partidos, mas por outro lado mostra a trapalhada do PDT em não ter aderido à Emenda do Deputado Pauliho e movimentado a bancada toda em favor dessa linha conciliatória. O outro lado engraçado é que eu nunca gostei muito do Paulinho. Quando ele faz uma coisa que preste, é barrado pelo partido. Vai ver que eu é que estou errado.

Auditoria Popular de Contas Públicas e medidas de terceira via na política são dois conceitos que precisam ser palicados tanto na esfera nacional quanto na esfera municipal. Nesse último caso, nós temos a responsabilidade de sermos menos burros que nossos parlamentares de Brasília, o que não me parece uma missão muito complicada...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

MIGALHAS...


Festa "Xô" da Folha dos Lagos / Domingo dos Lagos

Assim como na Festa da Padroeira deste ano, a Festa do Grupo Folha dos Lagos apresentou a divisão setorial dos prefeitáveis cabofrienses...

A tropa de Alair Corrêa estava posicionada próximo ao bar e ao banheiro masculino do Tamoyo. Poderíamos fazer boas piadas sobre a relação banheiro-bar-Alair, mas a ressaca nos impede...

O grupo de Jânio Mendes localizou-se à beira da piscina, num ambiente mais ventilado e fresco (no bom sentido é claro)


Marquinho Mendes optou por uma tática nômade e monástica: Percorreu os diversos ambientes da festa praticamente sozinho, cumprimentando a todos. Não há provas de que tenha apertado a mão da galera próxima ao bar/banheiro masculino.


José Bonifácio variou: Ficou nas mesas de um lado, de outro, depois percorreu diversos setores da festa com um grupo de quatro assessores ou coisa do gênero. Mas terminou a comemoração próximo à piscina.

Já o grupo de Paulo César...nunca serão...nem foram à festa. Há indícios de que estavam fazendo força na periferia, mas estive lá hoje e os populares permanecem a afirmar: Ninguém viu ainda o adesivo do Doutor.

Algumas músicas apresentadas pelo grande Zé do Trombone foram dedicadas especialmente aos presentes e aos célebres ausentes da festa. Alair foi homenageado com a famosa "Olha a cabeleira do Zezé", ao passo que o Dr. Paulo César foi lembrado com "Cadê Zazá?". Os Professeres Rebel e Chicão foram saudados com o hino do Flamengo, mas só se emocionaram mesmo com a canção vascaína, não se sabe por quê.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

COLUNA "JUVENTUDE TEM VOZ" - Todo sábado e domingo, no Jornal Domingos dos Lagos

Neste fim-de-semana estaremos publicando o artigo enviado pela Juventude Negra de Cabo Frio, após o texto da semana passada, onde conversamos sobre o Dia da Consciência Negra e convidamos essa galera para contribuir com a nossa coluna. Agradecemos a participação e declaramos aberto esse espaço para todos os movimentos de juventude da cidade. O grêmio do Colégio Rui Barbosa e a Juventude Negra já participaram. Quem será o próximo? Juventude n'atividade!

É questão de demanda ou não?
Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 01 e 02 de dezembro de 2007

A demanda precisa de respostas. Precisa de práticas. Precisa de empoderamento. A demanda... A demanda... Pois é, o que é um movimento social sem a sua chamada demanda? Não teria sentido, certo? A partir desse questionamento tentaremos entender como funciona ou como deveriam funcionar os movimentos sociais dentro de nossa região.

Bom, somos da Juventude Negra n`Atividade e como o próprio nome do coletivo sugere, a nossa demanda é a população negra, especificamente, a juventude negra. Em um ambiente de integração com as instituições em nível de movimento negro no âmbito regional, conseguimos desenvolver os nossos projetos e conscientizar a juventude negra da Região dos Lagos... Opa, opa, opa, para um pouquinho! A contestação do jovem é algo que precisa ser preservada, pois é o que faz o jovem ser jovem. Então, se é para contestar, essa questão de integração precisa ser revista.

É difícil de entender essa relação das instituições de movimento negro regionais com os coletivos independentes e pessoas que desejam realizar ou fazer um trabalho que talvez não tenha sido realizado. A construção de idéias fora do contexto institucional não é absorvida como deveria.

E como deveria ser? Uma boa pergunta que não deve se esgotar nesse texto, porém nos coloca em uma situação de definição dos papeis dos movimentos sociais instituídos. No caso do movimento negro a reflexão precisa ser feita na medida em que existe um grupo em uma coordenação que pode ser até em nível governamental. A coordenação deveria fazer projetos para atingir a demanda. Como? Entendendo e ouvindo a demanda! Só? Não! Criam-se estratégias para que a demanda ficque empoderada e até pode-se usar estratégias que essa demanda possa criar e desenvolver.

Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial. Um emblema que ingere responsabilidades. Responsabilidade para a demanda negra. Será que isso está sendo cumprido? Será que as demandas estão sendo ouvidas, sensibilizadas, conscientizadas, empoderadas? Estratégias estão sendo elaboradas para a Promoção da Igualdade Racial? Enxergamos apenas umbigos e egos. Toda a tentativa de formatação de projetos transparece uma ineficiência e má vontade assustadoras em que os maiores prejudicados são quem? A demanda. A demanda negra

A Juventude Negra n`Atividade leva em consideração todo o possível movimento que poderia estar sendo feito a partir da sensibilização da demanda populacional negra se ao menos os projetos apresentados fossem estudados e se aprovados, fossem desenvolvidos como devem ser desenvolvidos sem interferências ou rupturas

Queremos o empoderamento da juventude negra. Queremos empoderamento da população negra. E queremos acima de tudo, a Igualdade Racial. Então, respeitem a demanda pô!

Fábio Emecê
Juventude Negra n`Atividade