domingo, 11 de novembro de 2007

COLUNA "JUVENTUDE TEM VOZ" - Todo sábado e domingo, no Jornal Domingos dos Lagos

PARABÉNS PARA CABO FRIO OU PALMAS PARA NÓS?
Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 10 e 11 de novembro de 2007

Cabo Frio, minha terra amada. Não só pela terra, mas pelo mar, pelo povo que nela trabalha, pelo esquecido salineiro... amada a terra e seus roçadores, de Botafogo a Preto Forro, do Araçá Campos Novos, em nossas longínquas datas de negra repressão, passando pelos agricultores de São Jacinto a Agrisa, contemplando ambulantes da Praia do Forte e mesmo pedintes na Avenida Assunção ou guardadores de automóveis na Major Belegard (que não colocam advertências no seu carro).

Tu és dotada de belezas mil: Praias, ilhas e sambaquis; mirantes, prédios históricos e dunas. Perdoa-me, porém, doce senhora: Tua beleza por vezes ofusca a visão de insensíveis poetas que, encantados por ti, esquecem da maravilha em detrimento da beleza: A maravilha é mais teu povo, Cabo Frio, tão esquecido quanto és contemplada.




Escondida, vives num recanto, sob o manto desse meu Brasil e por ser escondida falta-te receber com justiça o manto da atenção desta mãe temperamental que é o teu Brasil: Vez em quando vira apenas lenço a bela manta. E que o recanto deste meu País lembre de seus próprios recantos de mazelas mil: Teu povo de Tangará e Guriri; Vila do Ar ou do Sol; Peró e seu Jardim.

Noites claras, teu luar famoso, este luar que viu meus ancestrais, e que continua vendo meus contemporâneos, única luz para tantos iguais meus, nos bares de mágoas e esquinas do esquecimento, por vezes ao relento de periferias e desabrigos, à espera de um Sol que os faça realmente cidadãos.

O teu povo se orgulha tanto que de ti não esquecerá jamais, seja por terem construído aqui seu palácio de vida feliz e segura, ou por terem erguido seus castelos de areia, destruídos por perseguições e falta de oportunidades. Todos, porém, orgulham-se de um dia ter passado por tuas praias, teu Forte.

Olho ao longe e vejo um mar bravio, mais próximo que aparenta e tão violento quanto avisto: Mar que derruba e arrasta nossos pequenos pelas ondas da desigualdade social e dos conchavos políticos; mar destruidor, que bebe oprimidos nas águas do esquecimento e do desamparo. Mar, porém, que também eleva e promove a acrobacia perfeita, para transformar o triste em feliz; o esquecido em justificado.


À esquerda um pescador afoito, buscando o sustento de seu dia de labuta. Esquecido por poderes, lembrado por poetas, aponta à direita o Índio que o hino omite: Sambaquianos, Unas e Tamoios, guerreiros e reais heróis desta Cidade-mãe-gentil. Vê Guixara a tramar defesas e louvar astros, banhando-se na Lagoa que parece um Rio, hoje tratada e revitalizada, talvez, como remendo novo em pano velho, pois morrem peixes e amplia-se o defeso, privilegiando interesses empresariais em detrimento de uma real política pública ambiental.

O teu sol, que beleza! No teu céu estrelas brilham mais, o que as obriga a, vez em quando, cair por terra, a fim de gerar nos pobres mortais a esperança de realização de seus singelos pedidos: Educação Superior Pública e de Qualidade; trabalho e renda; políticas pública para a juventude; transporte público desmonopolizado; saúde pública acessível e sem máscaras; transparência nas Contas Públicas.

Forasteiro? Não há forasteiro, pois nesta terra todos são iguais. Todos são iguais porque da Rasa à Passagem, do Recanto das Dunas ao Caminho de Búzios, queremos uma só e mesma coisa: Sermos cabofrienses no mais alto grau de dignidade desta palavra, tendo livre acesso a lotes e moradias na nossa terra amada, podendo usufruir e preservar suas belezas mil, ainda que vivamos em recantos ou perdidos sem lar e sem manto nas noites de luar famoso. Queremos nos orgulhar em nossas praias, nosso forte, em nosso mar, seja ele bravio ou pacífico. Queremos ver pescadores à esquerda trabalhando e não mendigando, e à direita o índio, o negro quilombola e o salineiro lembrado, diante da nossa lagoa parecendo um rio, e não mais uma poça ou uma fossa. E que o nosso Sol (que beleza!), possa tornar mais belo em nosso céu o brilho próprio das nossas estrelas: A estrela do nordestino aqui residente, do trabalhador, do jovem, do estudante secundarista, do esquecido na periferia, do universitário, do ambulante e do Professor, do idoso e da criança, da mulher e de todos nós: CIDADÃOS CABOFRIENSES.

Parabéns Cabo Frio. Mas palmas, muitas palmas mesmo para você cabofriense, porque é por causa da tua luta e da tua coragem que no teu céu as estrelas desta cidade brilham e brilharão cada vez mais.

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