terça-feira, 19 de junho de 2007

ARTIGO...



A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR: Em Caminho de Búzios ou na Virgínia


Publicado no Jornal Folha dos Lagos, 20/04/07


Reddi ergo quae sunt caesaris, caesari et quae sunt Dei Deo (A César o que é de César, a Deus o que é de Deus), disse Cristo. Nada melhor que esta frase divinamente humana para retornarmos à questão das invasões de terra no Caminho de Búzios, tratadas no mês passado. Em contato com moradores do bairro ontem, fui certificado de que realmente as propriedades, supostamente invadidas por influência de grupos políticos, foram desocupadas por ação da Prefeitura, por meio da Superintendência de Fiscalização e Regularização Fundiária através do Coronel Gilson Costa, a quem parabenizamos pela solução do caso. Apesar da situação tratar-se de mero cumprimento de dever legal oriundo de Cargo Público, não custa incentivar uma ação bem feita, dando a César o que é de César. Não obstante, nós e a população do Caminho de Búzios continuamos de olho nos possíveis conchavos políticos travestidos de movimentos populares.

Dito isso, façamos um vôo poético aos Estados Unidos da América, à Universidade Virginia Tech, onde o jovem Cho Seung-Hui assassinou cerca de 30 pessoas nesta semana. A comentarista econômica Miriam Leitão diz não haver explicação.O jornal O GLOBO chama o jovem de “monstro calculista”.

Não nos cabe aqui justificar o ato: Matar sem legítima defesa não possui justificativa alguma. Porém, não seria este jovem foi apenas a ponta do iceberg, o pavio da bomba, o trinco da caixa de Pandora? Sim, um expoente alucinado de uma cultura individualista, de segregação racial, de exclusão dos que não se enquadram em um modelo estabelecido pela mídia consumista. Não se trata aqui de discurso comunista nem crítica aos estadunidenses. Essa cultura é firme e presente também entre nós, brasileiros, cabo-frienses...

Homenagens, celebrações religiosas, músicas tristes e destruição da imagem do jovem Cho foram as atitudes tomadas diante do mini-holocausto. Não houve reuniões com pais e professores, nem palestras, nem patrocínio de estudos sócio-psicológicos da população por parte do Estado, muito menos apresentação de projetos com intuito de impedir novos atos semelhantes. Não, nada disso foi feito. É mais fácil para nós apontarmos o dedo para quem abre a porta, e esquecer que permitimos, a cada dia, que ela seja aberta. É mais fácil instaurar uma novela mexicana sem compromissos do que fazer uma auto-reflexão social, seja na Virgínia ou aqui. É mais fácil dar a Deus o que é de César. É mais fácil dar a César o que é de Deus.

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