segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Contos de Ano Novo...você acredita???


***** O Deputado Federal Dr. Paulo César e o Jornalista-empresário Moacir Cabral conversavam animadamente na esquina do Bar 90 Graus, no domingo à tarde. Parece que o acordo seria o seguinte: O médico-deputado-candidato teria uma coluna sobre ética na política no Jornal Folha dos Lagos, enquanto Cabral abriria um empreendimento no Araçá para ajudar a campanha do Dr., que se baseia na periferia, embora o povo de lá continue dizendo que ainda não viu o médico por lá, muito menos sua mão, que pelo menos até 2004, era a que salvava...

***** O velhinho do rock é a sensação das férias cabofrienses. Alugando um apê no final da Francisco Mendes, esquina com a Avenida Litorânea, o turista da quarta idade exibe todos os dias na varanda uma caixa de som de grande tamanho e enorme potência, acompanhando no baixo e na guitarra (não necessariamente ao mesmo tempo nem nessa mesma ordem) músicas de Led Zepellin e outras feras, num show caseiro que atrai vários transeuntes praianos. Rola o boato fortemente nervoso de que o coroa já transferiu seu título para nossa cidade, e poderá integrar a Chapa "Loucos por Cabo Frio", que concorrerá ao governo Municipal em 2008. A Chapa já conta com as presenças confirmadas de Animal de Cabo Frio, Diana do Sinal das Sendas, Lacraia da Praia do Forte e outros mitos. O Professor Chicão estuda a possibilidade de encaixar o vovô boladão no próximo Festival de Rock Humanitário do ano que vem, e seu contrato já está fechado com o Cabo Frio Rock 2008, onde tocará ao lado de Pitty, vestindo apenas sua micro-sunga azul-marinho, como já é tradicional na varanda-acústica do velho moço. A expectativa é pelo modelito da rockeira que, esperamos, acompanhe o do vovô num estilo praia bem informal e minúsculo, por assim dizer. Afinal, respeito aos mais velhos é fundamental...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Crítica que te quero Crônica...


Créu...

Ontem, totalmente concentrado nas movimentações sócio-etílicas em um estabelecimento cervejístico próximo à Praia, desisti de fazer-me presente ao show do Cidade Negra, apesar das fortes insistências da ala feminina que rodeava o grupo de filósofos que à minha mesa se sentava. Tal qual a raposa de Fedro, observei o fruto e não o toquei, desistindo. Porém, mais esperto que ela, o fiz por causa de outro fruto que me aguardava, a dourada e alucinógena mistura do lúpulo com o malte denominada vulgarmente Cerveja, ou ainda, em regiões periféricas - onde não passeiam os adesivos do Dr. Paulo César - chamada também de Cerva, Gelada, ou ainda Pescoçuda. Ocorre que o grupo pensante que ali se reunia passou a enumerar sábios motivos pelos quais a banda que se apresentava naquela noite não mereceria nossa presença. E o bode expiatório de nossas proféticas reflexões foi o vocalista Toni Garrido. Embriagados pelo doce-diet néctar da reflexão político-cachaçal, enumeramos alguns fortes motivos para preferir a mesa do bar à presença do Garrido. E aqui vão eles.

Em primeiro lugar o nome do cara. Um dos mais escrotos já vistos no meio musical. O que é Garrido? Esta palavra que só conhecemos do Hino Nacional como adjetivo de uma Terra, que na verdade é Garrida. E Toni...sem comentários.

Em segundo lugar, é o dread mais esquisito que já vi no meio artístico. Medusa gargalharia.

Em terceiro lugar, o cara apresentou o Fama junto com a Angélica. Isso é baixo.

Em quarto lugar, a cena mais ridícula de um DVD foi a do show do Cidade Negra, onde os presentes, durante a música "Girassol", balançaram a flor que dá nome à música durante sua execução. A visão de diversos girassóis balançados pelo público durante a canção é de rolar de rir, parecia uma festa da LBV.

Em quinto lugar, essa coisa de "do coração de quem faz guerra nascerá uma flor amarela" é plágio da poesia de Carlos Drummond de Andrade que diz "depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas", se referindo aos homens que promovem a guerra.

Em sexto lugar, o cara fez Orfeu no cinema. Foi ridículo.

Quando parecia sobrarem motivos para repudiramos o show que se desenrolava, aparece um membro retardatário do clube filosófico que ali se unia em uma oposição vermelha ao Cidade Negra. Eis que este súbito rapaz anuncia o fim do evento e afirma que o mesmo foi encerrado com a canção "Monte Castelo", de Renato Russo, quando Toni Garrido deixara bem claro que "a letra é baseada na Carta de São Paulo galeraaa!"

Consternação geral. A vigésima quinta saideira é solicitada. Conclui-se democraticamente que até o MC Créu, cujas "canções" ludibriavam nossos ouvidos naquele estabelecimento, valeria mais à pena, já que alma era a pequena. "Pra dançar créu tem que ter disposição. Pra dançar créu tem que ter habilidade". Créu neles.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

ARTIGO...

JOSÉ, POR QUE NÃO TE CALAS?
Uma retrospectiva da Cabo Frio de 2007

Publicada no Jornal Domingo dos Lagos em 29/30 de dezembro de 2007

E agora José? A império ganhou, a Vermelho e Branco caiu, mas a morada do Samba surgiu, enquanto o presidente quase saiu. E agora José? A Cabofriense cresceu, o Futsal venceu, o Club Med polemizou e da Reserva do Peró se esqueceu. E agora? As lojas continuaram oprimindo seus funcionários até altas horas (sem o Groisman), o verão permaneceu acorrentando os empregados em feriados, e alguns empregados públicos continuaram arrastando suas correntes pelas casas bem-assombradas. E agora José? Mas e agora? O Shopping da Wilson Mendes pode chegar, a CEFET pode surgir e a carceragem da 126 pode deixar de ser circo de dia e pau-de-arara à noite - depende do agora, depende do José - mas e agora José? As Secretarias se multiplicaram, o Secretário virou Vereador que virou radialista, as cadeiras dançaram e a criança-povo pagou a prenda. O Prefeito que já foi Deputado brigou com o Deputado que já foi Prefeito, a Caloi afundou no Canal, o sorriso ficou amarelo, a peruca gerou apelidos, a lista de Schindler cantou, mas e agora José? Pega a moto no Jacaré, tira a moto no Jacaré, rema-rema-remador, o anel que tu me deste era político e quebrou... e chega a lista do IBASCAF, vamos ver quem aposentou: rema-rema-seu doutor. O Sanny chocou, mas onde está agora? Pegaram Mantena, pegaram Pingo, mataram Turuca. Encontra-se corpo infantil em Arraial, mas e a violência José? Sob controle patrão! E aparece jornal novo, e aparece canal novo, e viva a liberdade de imprensa – até onde o Deputado-Presidente-Candidato-Cabelinho deixar. E viva a baixaria na TV, nas páginas do jornal, e vivam os cartões de todas as cores, de todos os xingamentos e baixos calões. E viva a mentira, viva a boataria, mas e agora José? Vai ficar na fofoca? Tem que pagar a conta da água, que não é mais portuguesa, então porque não te calas? E vai para o banco pagar, e o banco tem fila sem bancos de espera; os bancos de espera dependem dos bancos que bancam. Espera: Tem fila. Nem adianta esperar. Moção de Repúdio, Lei, Processo, multa...e agora José? Vereadores na Rádio, Seção da Sessão ao povo...nova sessão de enchente - enchente III no Eldorado II...e agora José? Municipaliza o CIEP ou não municipaliza? E tira horário integral mas não tira, e grita o professor, e vejam os alunos nas ruas, e queima o uniforme sem queima de arquivo, bonecos na camisa, camisa na parede do Prefeito, alunos nas ruas - já disse José - mas e agora? Passe-livre na moda, cartão cidadão que não era cartão estudante, mas tornou-se cartão aluno. Protesto na rua, protesto no Plenário... e fala besteira o Secretário, de Massa para a massa, e tenta consertar, e fala besteira maior: Por que não te calas ??? E lança uma candidatura, e lança outra acolá: Café da manhã, Tamoyo, entrevista...lança-candidato, lança-perfume, e lança-político-no-meio-do-mar-cheio-de-tubarão: Viva o sonho nacional!! E agora José? Olha o slogan sem graça, sem concordância verbal nem nominal, sem concordância eleitoral. E lança adesivo da pré-pré-candidatura (deveriam voltar à pré-escola). E fecha-se a rua da CBB, e diz-se que o terreno é particular, e fica na promessa. Porque não te calas? Faz-se Dormitório das Garças, põe os peixes a dormir no sono eterno, na Lagoa de Araruama...salve a Laguna, salve a Prolagos, salvem as algas, salve o dinheiro mal gasto, salve o investimento ambiental que faz os peixes morrerem. E agora José, por que não te calas? Por que permaneces chiando, chorando, gemendo e cantando; pensando, tremendo, correndo e andando? Porque insiste, e gritas, e falas; profetizas e paras; porque não desiste, reflete, critica, escreve - ninguém lê... porque não te calas José? Não te calas porque é pescador, salineiro, quilombola, sangue vermelho; não te calas porque é negro, branco, pardo, amarelo, multicor; não te calas porque plantas na Agrisa, colhes na Rasa, ceifa em Santo Antônio, caças em Tamoios, danças no Itajuru, vendes no Peró, dormes no Jacaré. Por que não te calas José? Porque 2007 passou. Porque o ano novo chegou pra valer. E agora, José? Viva o meu 2008, que só depende de você.

Um feliz 2008 a todos!!

Um pouco de poesia (ou seja lá o que isso for)

Depende

(ou uma independente análise de um 2007)

2007 foi bom ou ruim?
Depende...
Reencontrei a paixão(dependendo do que você entende por paixão...)
Encontrei meu caminho acadêmico
Mas depende
Do que você entende por caminho
Do que o caminho entende da academia
Do que o depende entende de você
Aí depende...
Redescobri o valor da amizade
No equilíbrio de uma vida sóbria
Dependendo do que você entende de tudo isso
Perdi no futebol, ganhei no esporte
Perdi na política, ganhei nos companheiros
Perdi no carnaval, ganhei na folia
Ganhei na pena
Ganhei na garra
Dependendo do que você entende por ganhar
Dependendo do que se entende por perder
E na família ?
Aí depende...
Mas independente do que depende
Acertei mais que errei
E quando errei entendi o crescer(dependendo do que você entenda por estatística)
Conheci novos bares, novos rostos, novas vozes
Conheci novos abraços, novas máscaras e copos
Mais do que no ano passado
Conheci novos companheiros
Conheci novas gavetas do meu ideal
Dependendo do que você entende por conhecer
Perdi um pedaço da Fé
Ganhei outros três(saí no lucro)
E nas novas sendas da crença
Apoiei-me no corrimão do pecado
Sem o qual jamais poderia caminhar
Talvez até porque ele não exista
Dependendo do que você entende por pecado
E dependendo do que você entenda por perfeito
Dependendo do que se entenda por ano
Dá pra dizer, meio sussurrando
Que 2007 foi perfeito
E dependendo do que você entende do que virá
Do que eu quero
Do que há de ser
Dá pra dizer que o meu 2008
Só depende de você

ARTIGO...



EU NÃO GOSTO DO NATAL
Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 22/23 de dezembro de 2007

Eu não gosto do Natal. Primeiro porque é a comemoração do Nascimento de Jesus na data que ele não nasceu, aliás, numa data escolhida por ser dia de louvor a um deus romano, um deus “pagão”. Eu não gosto do Natal. Não gosto porque é mais uma data com sentimento fabricado pelo comércio para angariar lucros em cima da classe trabalhadora com seus sub-salários. Eu não gosto de Natal. É um momento onde todos “se unem” para ajudar os mais necessitados, na verdade, para ficarem com a consciência tranqüila de um dever cumprido num dia do ano, vivendo de regalias e consumismos o ano inteiro. Eu não gosto do Natal porque é o dia em que enchemos nossas mesas de uma farta ceia, pedindo a Deus que abençoe a nossa incoerência, ajudando aqueles que não comem, durante todos os dias do ano, dez por cento do que comemos na noite do dia 24 de dezembro. Eu não Gosto do Natal. Não gosto porque vejo ruas cheias de pessoas com sacolas penduradas aos montes, trânsito infernal, com o objetivo de comprar mais e mais presentes, sem que ninguém se pergunte o que isso tem a ver com um tal Salvador do Mundo que nasce numa manjedoura em Belém. Eu não gosto do Natal porque é um dia de ficarmos presos a tradições cristãs num Estado laico: Missa do Galo, Novenas aos montes, árvores de Natal. Fora tradições não-cristãs, que parecem eternos replays de um filme de terror: Papais Noéis em roupas nada tropicais; renas em um país equatorial; trenós num trânsito caótico (da Avenida Paulista à Teixeira e Souza). Eu não gosto do Natal. Não gosto porque é a desculpa para parentes chatos te visitarem, fora a obrigação de presentear até a própria sogra – Um despautério! Não gosto do Natal porque o noticiário muda: Saem os mensalões e CPMF’s e entram as campanhas assistencialistas e o Natal de Luzes do Sul. Eu não gosto do Natal porque é a única data em que você tem de comprar presente para um amigo oculto que em geral não é amigo e que nem mesmo é oculto, porque você sabe quem é.

Mas há um motivo principal pelo qual eu não gosto do Natal: Não gosto do Natal porque ele destrói toda a minha falta de sensibilidade, minha mesquinhez, meu ser ranzinza, minha avareza. Não gosto do Natal porque ele destrói meus pensamentos provincianos de esquerda, minhas idéias pseudo-revolucionárias. Não gosto do Natal porque o verdadeiro Natal anula todas as críticas que fiz no parágrafo acima. Na verdade, acho que eu não gosto é de mim.


Não gosto de mim quando prefiro criticar a data numérica de um acontecimento importante como o nascimento de Cristo, ao invés de pensar no seu significado. Não gosto de mim quando não percebo que, por trás do apelo econômico e do interesse comercial - que de fato existe e é sórdido - há um sentimento bem brasileiro de presentear as pessoas amadas e vê-las felizes, de festejar, ao menos uma vez no ano, porque a opressão do trabalho semi-escravo impede que isso ocorra em outras datas. Não gosto de mim quando não alcanço a compreensão de que é melhor haver atitudes de caridade uma vez ao ano do que não haver nenhuma o ano inteiro. Não gosto de mim quando não percebo minha própria hipocrisia, quando não enxergo que a mesa “farta” do pobre no Natal se dá após a união de suadas economias por meses, com intuito de promover uma noite apenas de felicidade no ano para uma família que sofre em todas as suas 365 luas. Eu não gosto de mim quando percebo minha falta de sensibilidade – o que custa comprar presentes e enfrentar o trânsito para ver meus filhos, amigos e parentes felizes? Não gosto de mim. Não gosto de mim quando não percebo que caridade e sentimento de afeição pelo próximo tem tudo a ver com o nascimento de Cristo, desde que não sejam sentimentos fabricados e momentâneos. Não gosto de mim quando não noto que a Fé e as tradições cristãs são enraizadas na cultura brasileira e ajudaram a construir nossa história, sendo ela bela ou feia. Eu não gosto de mim. Não gosto de mim quando perco a oportunidade única no ano de estar com familiares e parentes distantes, reatar laços, preferindo criticar e analisar friamente as relações “sociais” natalinas. Não gosto de mim quando não percebo que o espírito natalino, a caridade, os presentes, as reflexões e as festas podem ser um fio de alegria para um povo sofrido; um fio de esperança numa sociedade tão vazia de sentimentos comunitários e fraternidade.

Gostemos do Natal. Gostemos de nós. Nem uma noite apenas de magia, nem uma noite apenas de hipocrisia. Se o problema é ser o Natal apenas um dia de caridade e fraternidade no ano, porque não trabalharmos para transformar todo o dia em natal, ao invés de retirarmos do dia 25 o seu valor? Talvez porque seja mais fácil destruir que construir. Talvez nossas críticas “corajosas” sejam meras covardias infantis disfarçadas de heroísmo.

Um Feliz Natal-de-todos-os-dias pra você...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

MIGALHAS...

Da série "Piada políticas infames..."

E a festa que o ex-Prefeito Alair Corrêa promove todos os anos, apelidada de FESTA DO BRANCO, corre o risco de ser embargada por uma Liminar, e talvez não aconteça. A alegação é que a temática da festa fere a legislação e os princípios jurídicos que dizem respeito à discriminação racial, já que se não for com branco, ninguém entra...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

MIGALHAS...


No último sábado os transeuntes cabofrienses puderam contemplar uma alegre (no bom sentido) e florida mesa (no bom sentido também) no Cyber Café da Praça Porto Rocha, ocupada pelos ilustres Professor Totonho, Octávio Perelló, Eduardo Chanel e outros. Foi sentida a presença de outros membros clássicos do Clã, como Aroldinho, Professor Chicão, Rebel e Professor Babade. A turma do café se reúne sempre aos sábados, sem hora pra começar. Nem para acabar.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

COLUNA "JUVENTUDE TEM VOZ" - Todo sábado e domingo, no Jornal Domingos dos Lagos

A MINHA GERAÇÃO É MELHOR QUE A DOS MEUS PAIS
Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 15/16 de dezembro de 2007

“Antigamente era melhor”, “a juventude da minha época sabia viver” ou ainda “a minha geração era bem melhor que essa”: Frases que ouvimos constantemente em análises e conversas sobre nossos jovens de hoje. Cabe-nos afirmar: A nossa geração, nossa juventude de hoje, é bem melhor que a juventude, a geração dos meus pais. Menos em um aspecto. E podemos provar.

Críticas constantes são feitas ao nosso jeito de vestir, ao apelo sexual de nossas vestes. O uso de brincos e outros elementos de vestuário por homens é taxado, de maneira homofóbica, como tendência homossexual. Realmente: Calças boca-de-sino eram lindas, fora os cabelos grandes do povo da jovem guarda, extremamente “masculinos”, sem contar que camisas de seda que deixavam o tórax à mostra e revelavam medalhões de prata não eram nada apelativos sexualmente nem ostentadores de pseudo-riquezas... um recente vídeo-arquivo exibido Na Record News mostrava a casta Wanderléia, há cerca de 30 anos, com um vestido muito curto para uma geração tão pura.

A música é o melhor exemplo: Claro que o “funk proibido” e outras manifestações nos desqualificam, mas não podemos esquecer de letras como “Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela, o pobre é humilhado, esculachado na favela” e “o funk não é modismo, é uma necessidade, é pra calar os gemidos que existem nessa cidade”, sem dúvida menos idiotas e imbecis do que “splish-splash”, “biquíni de bolinha amarelinho”, “Dominique nique nique” ou “pare de tomar a pílula”, aberrações vazias e infantis, que ficam anos-luz atrás da atual geração de compositores como Jorge Vercilo, Vander Lee, Los Hermanos, Djavan, Pedro Luís e outros. O Rock de hoje ainda é manifestação de consciência social, quando não tem mais a mídia de gerações anteriores, tendo de lutar por vezes no submundo da produção independente quando traz letras críticas. Nossos movimentos Rap e Hip-Hop, com letras inteligentes sobre a realidade dos subúrbios, passam por situação semelhante. Se nossa geração é vazia, o que dizer de uma jovem guarda que só queria saber de “calhambeque bi-bi”, “mil garotas querendo me namorar” e coisas do tipo?

Sobre a questão do vício e das drogas, lembro que não foi a minha geração que participou do festival de Woodstock, onde milhares de pessoas se drogaram, nem foi a minha juventude que criou o movimento Hippie, historicamente gerador do boom de drogas como a maconha no ocidente, embora tenha marcado o mundo com uma admirável filosofia de vida. Também não foi a minha geração que espalhou a Heroína pelo mundo, na 2a Guerra Mundial e na Guerra do Vietnam. O Ecstasy, droga definida como da minha geração, foi patenteada na Alemanha em 1914 e usada pelos soldados americanos na 1a e 2a Guerras Mundiais e no Vietnam, como supressor de apetite. Nossa geração apenas colhe o que nossos pais e avós “plantaram” com muita “eficiência” para nós.

A pornochanchada como gênero de cinema foi criada na década de 70: Nada mais que filmes baixos, com uma pornografia provinciana, onde as “mentes brilhantes” eram os “grandes” Jece Valadão, Flávio Nogueira e David Cardozo. Minha geração tem estrelas de cinema de verdade: Wagner Moura, Lázaro Ramos, Selton Mello, Mateus Nachtergaele. Temos filmes de verdade como Carandiru, Cidade de Deus, Central do Brasil e outros. Ou será que é mais interessante assistir “Patty, a Mulher Proibida” (1979), “Bonecas Diabólicas” (1975), “Seduzidas pelo Demônio” (1975) ou “Amadas e Violentadas” (1975) ?

A safra atual de pensadores também parece boa para uma geração vazia... Peter Singer, Lipovtsky, Luc Ferry, Giorgio Agamben e Simon Blackburn. Conhecem alguns deles? Talvez não. Não são famosos. Não vale a pena falar deles, que tiveram suas idéias e livros estourados na minha geração, porque é preciso convencer as pessoas de que a fase atual é de aridez filosófica, a fim de louvar o passado.

Apenas na atuação política, na militância, na consciência estudantil e ideológica é que a nossa juventude deve ter inveja da geração dos nossos pais. Necessário é aprender com eles, embora os tempos fossem outros, como lutar por direitos, como ir às ruas, como articular reivindicações. Mas há esperanças, com o desenvolvimento de Grêmios, Diretórios Acadêmicos, movimentos sociais, culturais e políticos de juventude que afloram em nossa cidade. O primeiro passo é valorizar-se e concluir: Em (quase) todos os outros aspectos, nossa juventude não deve em nada à geração de nossos pais. Chega de “ah, como era bom!”. Eu acredito é na rapaziada que segue em frente e segura o rojão...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

ARTIGO...

A QUEDA DA CPMF - ALGUMAS REFLEXÕES...

Caiu, caiu 1º de abril, ou melhor, caiu 12 de dezembro de 2007: É o fim da contribuição provisória mais permanente da recente história da democracia nacional...ontem o Senado derrubou (talvez) de vez a CPMF no Brasil

Em primeiro lugar, é necessário analisar a total desobediência aos princípios democráticos quando o Governo apresentou proposta de prorrogação de uma contribuição provisória. Se a vontade do povo, teoricamente manifestada quando da instauração da CPMF, foi de que ela fosse provisória, deveriam os governos terem movimentado-se anos antes do término de sua vigência para, gradativamente, reduzir os impactos financeiros do fim da contribuição, o que não foi feito.

Em segundo lugar, deve-se lembrar que o impacto financeiro da CPMF também deveria ter sido diagnosticado, ou seja, até que ponto e sob quais alíquotas e porcentagens os recursos oriundos dessa contribuição iriam de fato para Saúde? Lembramos que tal ação denomina-se Auditoria Popular de Contas Públicas, procedimento que defendemos ser feito em nossa cidade com a Autoviação Salineira. Mas isso é uma outra história...

Bom, acontece que essas considerações deveriam ser feitas antes da proposta de prorrogação. Feita a proposta, surge o problema: Se vota-se a favor da prorrogação, destrói-se a democracia e as decisões legalmente instituídas, destrói-se a natureza da Contribuição - que deixa de ser provisória - e destrói-se a credibilidade do legislador em prol do lucro para os cofres públicos. Se vota-se contra, de maneira inconsequente rasga o orçamento da União e onera-se a destinação de recursos à saúde, por exemplo, podendo desregular a balança financeira dos gastos públicos sociais, o que poderia questionar-se com a Auditoria Popular de Contas Públicas, mas que não foi feita.

Qual seria a solução? Obviamente, uma política de terceira via, de conciliação, como a emenda apresentada pelo Deputado Paulinho do PDT, que propunha a redução gradativa das alíquotas da CPMF, até ser zerada. Assim, o povo ficava menos onerado e o Governo não tomaria um choque de redução de tributos numa só facada, equilibrando as finanças, deixando todo mundo feliz e ao mesmo tempo extinguindo a CPMF, ainda que paulatinamente.

O engraçado é que o PDT, que deveria manifestar políticas de terceira via, de tendência socialista européia, não apoiou a proposta do Deputado, que retirou a Emenda, já que o Partido preferiu manter-se na base do Governo, votando a favor da prorrogação e destruindo a independência parlamentar que sempre marcou a legenda. Aí gerou-se a confusão política, quando nos dois turnos antes de passar pelo Senado, dois Deputados do PDT votaram contra a prorrogação (Barbosa Neto, do Paraná e Enio Bacci , do Rio Grande do Sul), embora a orientação partidária tenha sido a aprovação. Isso por um lado é bom, porque mostra a independência de certos parlamentares da legenda, o que não ocorre em outros partidos, mas por outro lado mostra a trapalhada do PDT em não ter aderido à Emenda do Deputado Pauliho e movimentado a bancada toda em favor dessa linha conciliatória. O outro lado engraçado é que eu nunca gostei muito do Paulinho. Quando ele faz uma coisa que preste, é barrado pelo partido. Vai ver que eu é que estou errado.

Auditoria Popular de Contas Públicas e medidas de terceira via na política são dois conceitos que precisam ser palicados tanto na esfera nacional quanto na esfera municipal. Nesse último caso, nós temos a responsabilidade de sermos menos burros que nossos parlamentares de Brasília, o que não me parece uma missão muito complicada...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

MIGALHAS...


Festa "Xô" da Folha dos Lagos / Domingo dos Lagos

Assim como na Festa da Padroeira deste ano, a Festa do Grupo Folha dos Lagos apresentou a divisão setorial dos prefeitáveis cabofrienses...

A tropa de Alair Corrêa estava posicionada próximo ao bar e ao banheiro masculino do Tamoyo. Poderíamos fazer boas piadas sobre a relação banheiro-bar-Alair, mas a ressaca nos impede...

O grupo de Jânio Mendes localizou-se à beira da piscina, num ambiente mais ventilado e fresco (no bom sentido é claro)


Marquinho Mendes optou por uma tática nômade e monástica: Percorreu os diversos ambientes da festa praticamente sozinho, cumprimentando a todos. Não há provas de que tenha apertado a mão da galera próxima ao bar/banheiro masculino.


José Bonifácio variou: Ficou nas mesas de um lado, de outro, depois percorreu diversos setores da festa com um grupo de quatro assessores ou coisa do gênero. Mas terminou a comemoração próximo à piscina.

Já o grupo de Paulo César...nunca serão...nem foram à festa. Há indícios de que estavam fazendo força na periferia, mas estive lá hoje e os populares permanecem a afirmar: Ninguém viu ainda o adesivo do Doutor.

Algumas músicas apresentadas pelo grande Zé do Trombone foram dedicadas especialmente aos presentes e aos célebres ausentes da festa. Alair foi homenageado com a famosa "Olha a cabeleira do Zezé", ao passo que o Dr. Paulo César foi lembrado com "Cadê Zazá?". Os Professeres Rebel e Chicão foram saudados com o hino do Flamengo, mas só se emocionaram mesmo com a canção vascaína, não se sabe por quê.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

COLUNA "JUVENTUDE TEM VOZ" - Todo sábado e domingo, no Jornal Domingos dos Lagos

Neste fim-de-semana estaremos publicando o artigo enviado pela Juventude Negra de Cabo Frio, após o texto da semana passada, onde conversamos sobre o Dia da Consciência Negra e convidamos essa galera para contribuir com a nossa coluna. Agradecemos a participação e declaramos aberto esse espaço para todos os movimentos de juventude da cidade. O grêmio do Colégio Rui Barbosa e a Juventude Negra já participaram. Quem será o próximo? Juventude n'atividade!

É questão de demanda ou não?
Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 01 e 02 de dezembro de 2007

A demanda precisa de respostas. Precisa de práticas. Precisa de empoderamento. A demanda... A demanda... Pois é, o que é um movimento social sem a sua chamada demanda? Não teria sentido, certo? A partir desse questionamento tentaremos entender como funciona ou como deveriam funcionar os movimentos sociais dentro de nossa região.

Bom, somos da Juventude Negra n`Atividade e como o próprio nome do coletivo sugere, a nossa demanda é a população negra, especificamente, a juventude negra. Em um ambiente de integração com as instituições em nível de movimento negro no âmbito regional, conseguimos desenvolver os nossos projetos e conscientizar a juventude negra da Região dos Lagos... Opa, opa, opa, para um pouquinho! A contestação do jovem é algo que precisa ser preservada, pois é o que faz o jovem ser jovem. Então, se é para contestar, essa questão de integração precisa ser revista.

É difícil de entender essa relação das instituições de movimento negro regionais com os coletivos independentes e pessoas que desejam realizar ou fazer um trabalho que talvez não tenha sido realizado. A construção de idéias fora do contexto institucional não é absorvida como deveria.

E como deveria ser? Uma boa pergunta que não deve se esgotar nesse texto, porém nos coloca em uma situação de definição dos papeis dos movimentos sociais instituídos. No caso do movimento negro a reflexão precisa ser feita na medida em que existe um grupo em uma coordenação que pode ser até em nível governamental. A coordenação deveria fazer projetos para atingir a demanda. Como? Entendendo e ouvindo a demanda! Só? Não! Criam-se estratégias para que a demanda ficque empoderada e até pode-se usar estratégias que essa demanda possa criar e desenvolver.

Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial. Um emblema que ingere responsabilidades. Responsabilidade para a demanda negra. Será que isso está sendo cumprido? Será que as demandas estão sendo ouvidas, sensibilizadas, conscientizadas, empoderadas? Estratégias estão sendo elaboradas para a Promoção da Igualdade Racial? Enxergamos apenas umbigos e egos. Toda a tentativa de formatação de projetos transparece uma ineficiência e má vontade assustadoras em que os maiores prejudicados são quem? A demanda. A demanda negra

A Juventude Negra n`Atividade leva em consideração todo o possível movimento que poderia estar sendo feito a partir da sensibilização da demanda populacional negra se ao menos os projetos apresentados fossem estudados e se aprovados, fossem desenvolvidos como devem ser desenvolvidos sem interferências ou rupturas

Queremos o empoderamento da juventude negra. Queremos empoderamento da população negra. E queremos acima de tudo, a Igualdade Racial. Então, respeitem a demanda pô!

Fábio Emecê
Juventude Negra n`Atividade

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

ARTIGO...

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
QUAL É A COR DA SUA CONSCIÊNCIA?


Nesta terça-feira, dia 20 de novembro, comemoraremos o Dia da Consciência Negra, feriado que presta-nos o nobre favor do descanso nestas terras quilombolas de Cabo Frio. É necessário então tentar responder algumas perguntas e solucionar certos mitos em relação à consciência negra, claro, de acordo com nossa pobre opinião.

“Por que não um dia da Consciência Branca?”
A Sociedade democrática tem como pauta elaborar leis que “tratem desigualmente os desiguais”, a fim de suprir sua exclusão social, como nos disse Rui Barbosa, roubando a frase originalmente de Aristóteles. Por isso o dia do negro, da mulher, do estudante e do trabalhador. Não que o branco, o homem, o Ministro da Educação e o patrão não mereçam seu dia. A questão é, que numa sociedade capitalista, ainda patriarcal, e em sua essência e elitista, estes últimos quatro recebem mais atenção econômica e social que aqueles, logo, busca-e a lei compensar tal desigualdade, por exemplo, reservando um dia próprio para cada grupo excluído. Assim também faz a lei, por exemplo, no art. 100 do Código de Processo Civil que, claramente, estabelece uma diferença entre a mulher e o homem, embora o art. 5 da Constituição proíba isso. Isso ocorre porque, embora a Constituição defenda a igualdade entre os gêneros, isso ainda não ocorre na prática em nosso País e, enquanto não chegamos nessa fase desejada, deve a lei buscar mecanismos para cicatrizar essa diferença.

“O dia da Consciência Negra não adianta nada, pois não resolve o problema do preconceito contra o negro”. Óbvio que não, mas abre a possibilidade de ao menos se refletir sobre ela. O seu dia obrigatório de descanso semanal do trabalho de nada adianta também, já que em seguida você terá de trabalhar de novo. Então seu dia de folga é sem sentido também? Você o dispensa?


“Eu não gosto de pessoas de cor”. Fora o preconceito infantil da frase, em minha rasteira visão, entendo que o negro não deva ser considerado nem cor, nem raça, nem etnia, mas uma identidade social, seguindo em parte a teoria do Prof. Dr. Kabengele Munanga, da USP, que entende a raça como um conceito morfo-biológico e a etnia como um conceito sócio-cultural. Quanto ao conceito de cor, nem vale a pena discutir: Cor é de roupa, casa, objetos, não se fala de cor quando se fala de gente. Nesse sentido, costumo definir o negro como uma identidade social, ou grupo social, uma comunidade de pertença dentro de uma sociedade, que engloba aspectos de raça e etnia. Os negros não são unidos apenas pela cor, mas pela cultura, história, habilidades comuns (dança, arte, etc.) e principalmente pela exclusão comum.

“Quem tem maior preconceito contra o negro é o próprio negro”. Se o próprio negro por vezes não gosta de seus cabelos e sua cor, é porque nós, brancos, ensinamos assim, pois ao longo de anos branqueamos e europeizamos a sociedade brasileira, estabelecendo como padrão cultural e estético o branco europeu. Se o negro por vezes tem auto-preconceito, isso se dá porque seguem as aulas do branco preconceituoso. Aliás, o "branco" brasileiro (que na verdade é mestiço) também é o maior exemplo de preconceito contra si mesmo, pois, estabelecendo como padrão estético social o branco europeu, rompe com sua própria raiz, indígena ou mestiça. Nem o gaúcho filho direto de alemão, pode considerar-se branco europeu, pois, vivendo em terras brasileiras, já é mestiço, se não biologicamente, ao menos socialmente mestiço, pois não toma cerveja quente e nem usa suspensórios, mas desfila de regata e bebe uma boa gelada no domingo.

“As cotas para negros são a maior forma de preconceito contra os negros.” As cotas para negros são uma forma da sociedade desculpar-se e pagar a dívida da escravidão ao longo da história, como afirmou o Presidente Lula. De fato, há uma dívida com os negros no Brasil, cujos juros da escravidão se percebem até hoje, através da exclusão social e econômica do negro no País. Porém, é preciso perceber que a dívida maior não é com o negro, e sim com o pobre. Milhões de brasileiros são excluídos há 500 anos, tanto negros, quanto brancos, índios, os coolies amarelos e outros mais. Portanto, a prioridade deve ser o pobre, pois o pobre constitui uma identidade social mais ampla numericamente que o negro e com uma dívida, logicamente, maior. As cotas deveriam ser, logo, para os hipossuficientes (pobres), grupo no qual os negros são ampla maioria, por causa, aí sim, da exclusão social que vem desde a escravidão. Desta maneira, saldar-se-iam duas dívidas com uma só medida: A cota para pobres nas universidades permitiria ao pobre chegar ao nível superior e, conseqüentemente, aos negros também, em sua maioria pobres. Necessário ainda é lembrar que as cotas devem ser medidas de emergência, sendo eliminadas adiante através de um incentivo estatal aos pré-vestibulares para carentes e negros (como o EDUCAFRO) e de uma melhoria significativa no Ensino Público fundamental e médio, como ocorreu na França, que vem abolindo as cotas após anos, por ter alcançado bons índices de inclusão educacional.

Ficam aqui nossas humildes reflexões sobre esta terça-feira da consciência negra. Que seja um feriado para uma boa praia e cerveja gelada acompanhadas de sadia conversa para o surgimento de idéias que conspirem a favor do assassinato ao preconceito e à exclusão irracional, que farão nossos netos rirem dessa sociedade tão infantil e desunida que um dia surgiu na história. E que as saudações do Europeu, do Índio, do Negro, do Asiático, possam ecoar unidas todos os dias pelas ruas de nosso País: Ciao, Awere, Axé, Ch'ao-Fan!

domingo, 11 de novembro de 2007

COLUNA "JUVENTUDE TEM VOZ" - Todo sábado e domingo, no Jornal Domingos dos Lagos

PARABÉNS PARA CABO FRIO OU PALMAS PARA NÓS?
Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 10 e 11 de novembro de 2007

Cabo Frio, minha terra amada. Não só pela terra, mas pelo mar, pelo povo que nela trabalha, pelo esquecido salineiro... amada a terra e seus roçadores, de Botafogo a Preto Forro, do Araçá Campos Novos, em nossas longínquas datas de negra repressão, passando pelos agricultores de São Jacinto a Agrisa, contemplando ambulantes da Praia do Forte e mesmo pedintes na Avenida Assunção ou guardadores de automóveis na Major Belegard (que não colocam advertências no seu carro).

Tu és dotada de belezas mil: Praias, ilhas e sambaquis; mirantes, prédios históricos e dunas. Perdoa-me, porém, doce senhora: Tua beleza por vezes ofusca a visão de insensíveis poetas que, encantados por ti, esquecem da maravilha em detrimento da beleza: A maravilha é mais teu povo, Cabo Frio, tão esquecido quanto és contemplada.




Escondida, vives num recanto, sob o manto desse meu Brasil e por ser escondida falta-te receber com justiça o manto da atenção desta mãe temperamental que é o teu Brasil: Vez em quando vira apenas lenço a bela manta. E que o recanto deste meu País lembre de seus próprios recantos de mazelas mil: Teu povo de Tangará e Guriri; Vila do Ar ou do Sol; Peró e seu Jardim.

Noites claras, teu luar famoso, este luar que viu meus ancestrais, e que continua vendo meus contemporâneos, única luz para tantos iguais meus, nos bares de mágoas e esquinas do esquecimento, por vezes ao relento de periferias e desabrigos, à espera de um Sol que os faça realmente cidadãos.

O teu povo se orgulha tanto que de ti não esquecerá jamais, seja por terem construído aqui seu palácio de vida feliz e segura, ou por terem erguido seus castelos de areia, destruídos por perseguições e falta de oportunidades. Todos, porém, orgulham-se de um dia ter passado por tuas praias, teu Forte.

Olho ao longe e vejo um mar bravio, mais próximo que aparenta e tão violento quanto avisto: Mar que derruba e arrasta nossos pequenos pelas ondas da desigualdade social e dos conchavos políticos; mar destruidor, que bebe oprimidos nas águas do esquecimento e do desamparo. Mar, porém, que também eleva e promove a acrobacia perfeita, para transformar o triste em feliz; o esquecido em justificado.


À esquerda um pescador afoito, buscando o sustento de seu dia de labuta. Esquecido por poderes, lembrado por poetas, aponta à direita o Índio que o hino omite: Sambaquianos, Unas e Tamoios, guerreiros e reais heróis desta Cidade-mãe-gentil. Vê Guixara a tramar defesas e louvar astros, banhando-se na Lagoa que parece um Rio, hoje tratada e revitalizada, talvez, como remendo novo em pano velho, pois morrem peixes e amplia-se o defeso, privilegiando interesses empresariais em detrimento de uma real política pública ambiental.

O teu sol, que beleza! No teu céu estrelas brilham mais, o que as obriga a, vez em quando, cair por terra, a fim de gerar nos pobres mortais a esperança de realização de seus singelos pedidos: Educação Superior Pública e de Qualidade; trabalho e renda; políticas pública para a juventude; transporte público desmonopolizado; saúde pública acessível e sem máscaras; transparência nas Contas Públicas.

Forasteiro? Não há forasteiro, pois nesta terra todos são iguais. Todos são iguais porque da Rasa à Passagem, do Recanto das Dunas ao Caminho de Búzios, queremos uma só e mesma coisa: Sermos cabofrienses no mais alto grau de dignidade desta palavra, tendo livre acesso a lotes e moradias na nossa terra amada, podendo usufruir e preservar suas belezas mil, ainda que vivamos em recantos ou perdidos sem lar e sem manto nas noites de luar famoso. Queremos nos orgulhar em nossas praias, nosso forte, em nosso mar, seja ele bravio ou pacífico. Queremos ver pescadores à esquerda trabalhando e não mendigando, e à direita o índio, o negro quilombola e o salineiro lembrado, diante da nossa lagoa parecendo um rio, e não mais uma poça ou uma fossa. E que o nosso Sol (que beleza!), possa tornar mais belo em nosso céu o brilho próprio das nossas estrelas: A estrela do nordestino aqui residente, do trabalhador, do jovem, do estudante secundarista, do esquecido na periferia, do universitário, do ambulante e do Professor, do idoso e da criança, da mulher e de todos nós: CIDADÃOS CABOFRIENSES.

Parabéns Cabo Frio. Mas palmas, muitas palmas mesmo para você cabofriense, porque é por causa da tua luta e da tua coragem que no teu céu as estrelas desta cidade brilham e brilharão cada vez mais.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

ARTIGO...


Uma nova idéia: Princípio da Fidelidade às Alianças de Governo
Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 17/18 de novembro de 2007 - Coluna "Juventude tem Voz"

Em recente discurso no Senado Federal, o Senador Cristovam Buarque apresentou uma idéia correlata à recém aprovada legislação acerca da fidelidade partidária: A fidelidade dos Partidos. Segundo tal pensamento, não só os políticos deveriam manter a fidelidade às suas legendas, mas também as legendas, isto é, os Partidos, deveriam ser obrigados a manterem-se fiéis à sua ideologia. Seguindo o fio de raciocínio do Senador, tentaremos apresentar aqui algo mais específico: O princípio da Fidelidade de Alianças de Governo. Para isso, usaremos como exemplo o Município de Cabo Frio.

O Princípio de Fidelidade Ideológica dos Partidos do Senador, na verdade, tem como conseqüência o Princípio da Fidelidade às Alianças de Governo, se entendermos que as alianças entre Partidos se dêem, ao menos teoricamente, a partir de uma identificação ideológica entre os mesmos. Ainda que tal identificação de ideologias não possuam relação com as macro-tendências, isto é, aliança entre Partidos socialistas, trabalhistas, social-democratas, liberais, etc., essa identificação se dá necessariamente, ao menos, em relação ao modelo de Governo local desejado pelos Partidos que se aliam em determinado espaço geográfico. Exemplificando: Em Cabo Frio temos uma aliança no Governo Municipal entre o PSDB e o PT, embora estes tenham ideologias opostas (social-democracia x trabalhismo), porque possuem ambos o mesmo desejo de modelo de governo na cidade de Cabo Frio.

No que consistiria então o Princípio da Fidelidade às Alianças de Governo? Ora, determinaria que os Partidos que se alinhassem em aliança para uma campanha Municipal fossem obrigados a manter tal alinhamento ao longo dos quatro anos de Governo, pois, para que o político seja fiel ao seu Partido, é necessário que o Partido seja fiel às suas alianças.

Em Cabo Frio, temos exemplos interessantes: Até pouco tempo o Vereador Valcy Rodrigues era filiado ao PTB, que na eleição Municipal de 2004 fazia parte da Aliança em torno de Marquinho Mendes, mas durante o Governo passou a abrigar Dr. Paulo César, adversário do Prefeito eleito. Se a Lei de Fidelidade Partidária tivesse aplicação imediata, como faria Vereador Valcy? Se trocasse de Partido, perderia o mandato; se mantivesse sua pertença ao PTB, teria que seguir diretrizes partidárias de oposição ao Governo que ajudou a eleger: Surge uma sinuca de bico, que poderia ser resolvida pelo Princípio da Fidelidade às Alianças de Governo. Com a implementação desse princípio, o PTB é que seria penalizado por ter rompido sua Aliança de Governo, perdendo o direito de reivindicar para si o Mandato de qualquer Vereador que saísse de sua legenda, isto é: Perderia a posse do Mandato por não ser fiel à pertença à aliança da última campanha. Nesse sentido, ferindo um dever, o Partido teria ferido, em contrapartida, o seu direito.

O atual parecer do STF acerca da fidelidade partidária define como do Partido o direito ao Mandato do parlamentar. Porém, é preciso salientar que tal posse de direito se faz de maneira subsidiária, isto é: O direito ao Mandato é, em primeiro lugar, do povo, do eleitor, e de maneira secundária, do Partido. Nesse sentido, o Partido não é soberano na posse do direito à fidelidade partidária, mas sim o povo, que possui tal direito diante tanto de Partidos quanto de Mandatários. Perante tal constatação, o povo, possuidor tanto do mandato do Parlamentar quanto da confiança da fidelidade do Partido às suas alianças, já que nele confiou nas eleições, deveria poder pedir ressarcimento de ambos os direitos violados, através da Justiça Eleitoral, solicitando para si o Mandato do parlamentar infiel e também pedindo a punição ao Partido infiel às suas alianças, através de uma Ação de Perdas e Danos Eleitorais, cuja sanção dada aos Partidos seria, então, tanto a perda do direito à reivindicação dos Mandatos de Parlamentares “infiéis”, bem como um ressarcimento eleitoral à população “traída”, através da perda de tempo eleitoral de televisão, redução de verba partidária por meio de multa e alteração no cálculo de coeficiente eleitoral, reduzindo a representatividade parlamentar no Município.

Breves e sonhadores desejos de Direito Eleitoral, diante de uma sociedade e uma justiça lentas e distantes das mutantes realidades políticas municipais. Sonhar não custa nada, nosso sonho é tão real...

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

COLUNA "JUVENTUDE TEM VOZ" - Todo sábado e domingo, no Jornal Domingos dos Lagos

Passe-Livre estudantil ou "Segura na corda do caranguejo: Pra lá e pra cá"

Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 03/04 de novembro de 2007

Em tempos de proximidade ao profano-sacro evento CABOFOLIA 2008, parece-nos interessante adotar como reflexão a frase de uma das mais belas composições da música erudita brasileira, fixada em solo baiano, poesia que de dezembro a fevereiro encanta nossos famigerados ouvidos. Aos que preferem refletir sob a égide de grupos musicais mais, afirmamos que a composição dos poetas do Babadô Nouveau (assim mesmo, em Francês: São eruditos) é a que melhor define a atual situação política da Cidade de Cabo Frio: Quase todo mundo, de Escolas de Samba a Times de futebol; de Associações de Bairros a Vereadores, passando pelos meios de comunicação, todos, com raras e boas exceções, seguram na corda do caranguejo e vão para um dos dois lados: Para lá, ou para cá.

Chegamos ao absurdo de dizer que "tal jornal é do ex-Prefeito" ou ainda que "A Escola de Samba tal é do atual Governo". Mais que uma polarização, criou-se uma obrigatoriedade de adesão, como se toda a sociedade girasse em torno dos Grupos Políticos, e não o contrário.

Nesse sentido, por mais que queiram, não há como filiar o Movimento Estudantil de Cabo Frio a nenhuma das duas correntes políticas, aliás, a corrente alguma. Os alunos do Colégio Rui Barbosa, Escola Marli Capp, UFF-Cabo Frio e UVA-Cabo Frio, que estiveram presentes nas manifestações e negociações do Projeto de Lei 116/2007 (Passe-Livre estudantil entre outros temas) não caíram na manipulação do caranguejo, que quer nos arrastar para um lado ou para outro.

Não somos Governo, porque questionamos o lançamento surpreendentemente, sem discussão democrática, do Projeto de Lei que, até a última terça-feira, delimitava o Passe Estudantil. Com manifestações, abaixo-assinado e negociações, o Governo voltou atrás e, sabiamente, alterou termos do Projeto, aderindo à vontade estudantil, em atitude que, embora obrigatória, merece nosso aplauso.

Não somos ex-Governo, que plantou um de seus pré-candidatos na articulação estudantil do Plenário da Câmara em 25/10, para fingir-se organizador da movimentação , dando entrevistas à Rede de TV do mesmo grupo, como se líder dos estudantes fosse. Em nota de repúdio, o estudantado cabofriense, representado nas 4 instituições supracitadas, já se manifestou à Imprensa contra a liderança de tal rapaz, bem como teve espaço em Rádio local, em 31/10, para denunciar tal abuso e atitude baixa. Os estudantes não são tolos e não caíram nas artimanhas de quem tenta forçar uma liderança que não existe, ao invés de trabalhar para obtê-la.

Agora se ouvem rumores de que a Autoviação Salineira ficou insatisfeita com certas Emendas ao Projeto de Lei 116/2007. Se de fato o rumor for verdadeiro, afirmaremos que não mediremos esforços em denunciar e repudiar quaisquer mudanças nas Emendas que foram acordadas entre a Prefeitura e os estudantes. O enfrentamento que não gostaríamos de ver aconteceria, e as conseqüências do levante poderiam ser perigosas . A Salineira está "chorando de barriga cheia", e deveria agradecer à Deusa da Sorte, pois nem foi feito o questionamento sobre o preço das passagens, mediante abertura da Planilha de Custos e Gastos da Empresa, o que nos diria se, de fato, o preço da passagem é "normal"...

Enfim, não seremos seduzidos pelas manhas do caranguejo. Não iremos nem "pra lá" e nem "pra cá". Não queremos nem folia nem tristeza: Apenas os direitos dos estudantes, responsabilidade não só deles, mas de toda a sociedade. E quem quiser segurar na corda do caranguejo, que faça bom proveito. Mas cuidado para não cair.

Rafael Peçanha
jventudetemvoz@gmail.com

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

MIGALHAS...


Assim como o Barrichello, parece que todos nós estávamos com saudades de uma rapidinha. Então, atendendo a pedidos, lá vão algumas...

* NOVA COLIGAÇÃO EM CABO FRIO - Depois do Grupo Político "Loucos por Cabo Frio" (Beleleco, Diana e cia.) despontar no já rachado cenário cabofrienses, surge a vez de uma nova composição tentar seu lugar ao sol: É a Coligação "SEM MEIAS PALAVRAS", orquestrada nos bastidores pelo repórter Givanildo Silveira.

* Seu candidato a Prefeito é Jeremias José, que inclusive já gravou vídeo de campanha, embora fora do prazo eleitoral, que o eleitor interessado pode conferir em http://br.youtube.com/watch?v=87xcp4FeQSI Vale a pena, o rapaz, tem presença política.

* O Vice já está confirmado: Será o não menos talentoso Josenildo Silva, mais conhecido como "Língua", cujo vídeo promocional de campanha também já se encontras disponível no Site da Coligação, em http://br.youtube.com/watch?v=rFIko3RlTJo Ambos possuem domicílio eleitoral e liderança comunitária no Bairro do Salgado, Caruaru-PE, mas já transferiram seu Título para Cabo Frio.

* A Coligação busca candidatos a Vereador. Quem se habilita?

COLUNA "JUVENTUDE TEM VOZ" - Todo sábado e domingo, no Jornal Domingos dos Lagos

juventudetemvoz@gmail.com__________________________________________________ Neste fim-de-semana estaremos publicando o artigo enviado para a Coluna "Juventude tem Voz" pelos alunos Rafael Carvalho e Andreza de Paula, do Colégio Rui Barbosa:

O Poder da Ação
Publicado no Jornal Domingo dos Lagos de 27 e 28 de outubro de 2007


A coluna dos dias 29 e 30 de setembro, onde nosso amigo Rafael Peçanha colocou a queda que o movimento jovem vem sofrendo fez com que pensássemos que vale à pena lutar por um ideal, visto que foi ressaltada a luta do Colégio Municipal Rui Barbosa. Semana passada, dias 6 e 7 de outubro, foi publicada a matéria “UVA: dando banana para a educação”. Esta coluna vem a ser uma continuação dessas outras duas citadas acima.A partir de uma junção das colunas anteriores, podemos chegar a uma conclusão: a falta de ação dos estudantes frente ao descaso que a educação sofre, leva as entidades educacionais a desrespeitarem o espaço dos estudantes e, muitas vezes, não “lapidarem” os valiosos diamantes existentes na cidade.Como exemplo desse desrespeito, vemos o passe-livre estudantil à beira de ser extinto, vemos mensalidades de universidades com preços altíssimos e estudantes sendo dependentes de Bolsas da prefeitura para cursarem uma faculdade.

Mas não basta apenas lutar por direitos da juventude. Nós jovens, temos que lutar também por saúde pública decente, passe-livre não somente para estudantes como também para idosos e deficientes.Fazendo jus ao nome da coluna (“Juventude tem Voz”), queremos conclamar a juventude cabo-friense a sair da inércia, se levantar, ir às ruas, mostrar sua força e lutar por seus direitos.Vale à pena lutarmos como os universitários fizeram ano passado. Lutar e ir às ruas como nós, do Colégio Municipal Rui Barbosa, fomos e conseguimos, por enquanto, assegurar o passe-livre sem limitações.

Não é direito nosso cobrar do governo municipal melhorias em condições de estudo e de vida, é dever nosso cobrar daqueles que elegemos para nos representar. Vale à pena, aproveitar o espaço para lembrar das Eleições 2008. Elejamos homens que realmente defenderão e lutarão pelos interesses do povo, inclusive e principalmente os direitos da juventude. Não nos deixando enganar por políticos hipócritas que prezam por enriquecimento pessoal ao invés de batalharem por aqueles que os elegeram, nós.

PRECISAMOS AGIR PARA QUE O SONHO NÃO VIRE UTOPIA!
(Rafael Carvalho e Andreza de Paula – Colégio Municipal Rui Barbosa)

Juventude, esse é o nosso espaço. Participe você também e dê eco à sua voz: Envie seu artigo ou opinião para
juventudetemvoz@gmail.com

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

ARTIGO...

Metafísica eleitoral: Ser ou não ser em 2008: eis a questão

Publicado no Blog do Totonho em 17.10.07

O estudo da filosofia eleva-nos a um conceito que nasce nas mais antigas reflexões pré-socráticas, com Parmênides e Cia. Grega LTDA., passando pelo grande Aristóteles e suas barbas à la José Bonifácio, encontrando berço em Tomás de Aquino e os Escolásticos, até ter tentativa de resgate em Hegel e Spinoza, vindo a supostamente falecer (seu corpo nunca foi encontrado) com Sartre e os Existencialistas: O SER.

Ser ou não ser: Eis a questão! A famosa máxima de Shakespeare parece ilustrar muito bem o problema que aqui se apresenta, isto é: Podemos dizer que somos algo? Há o verbo ser realmente ou tudo o que existe (inclusive nós) é apenas fenômeno concreto e sensível que aparece, sem possuir uma substância abstrata de onde nasça? A pergunta clássica ”de onde viemos” muda com a metafísica que cria pergunta “viemos de algum lugar?”

Popularizando: O que temos hoje é um esquecimento do SER (essência, sentido das coisas vinda de um plano superior e abstrato) e uma valorização do EXISTIR (as coisas concretas existem e pronto, não tem nenhum fundamento espiritual ou coisa do tipo).

Mas há uma esperança de ressurreição do Ser: Nossas belas campanhas eleitorais que, aliás, já começaram em Cabo Frio com uma antecedência olímpica, e de pré-campanhas não têm mais nada. O verbo SER é presente na maioria das propagandas, com uma abordagem mais que contemporânea: O SER NO TEMPO – “Em 2008, sou Marquinho”: Primeiro um conflito de identidade, pois se cada um que usa o adesivo é Marquinho, então não temos um Prefeito, mas uma Comissão de Gestores. Em segundo lugar, o engraçado é que aquele que usa o adesivo só é Marquinho em 2008, ou seja, o conflito identitário desses cidadãos tem data marcada também.

Mas há ainda outros casos: “Agora é Deco” – novamente um conflito de tempo em relação ao SER: Agora é o Deco, então antes e depois não é mais o Deco, ou seja: Ele pode ser antes da eleição, não ser na votação e voltar a ser na apuração, tudo depende do momento em que o eleitor disser “agora é Deco”. Complicada posição eleitoral...

Há outros casos mais complexos, com vários problemas afetivos envolvidos: Em Araruama lê-se “Sou Marquinhos do Posto, Sou Franciane”. Primeiro problema: Não se sabe quem é o candidato (Marquinhos ou Franciane?); segundo problema: Não se sabe a situação ou opção sexual do candidato(a); terceiro: O próprio candidato não sabe quem ele é na verdade, pois afirma ser duas pessoas ao mesmo tempo. Trata-se de um caso complexo de esquizofrenia eleitoral que nem o irmãozinho Ivo Saldanha poderia resolver.

Diante deste tragicômico quadro eleitoreiro, esqueçamos o que falei sobre ressuscitar o SER. Melhor deixa-lo mesmo morto, enterrado. Passo a defender seu esquecimento, como um convicto existencialista. Morte ao SER! Jamais usaremos novamente esse famigerado verbo, esse “é”, esse monstro da terceira pessoa do presente. “É. A gente não tem cara de panaca. A gente não tem jeito de babaca...”

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

COLUNA "JUVENTUDE TEM VOZ" - Todo sábado e domingo, no Jornal Domingos dos Lagos

UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA: DANDO BANANA PARA A EDUCAÇÃO
juventudetemvoz@gmail.com
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Publicado no Jornal Domingo dos Lagos de 06 e 07 de outubro de 2007
Publicado no Blog do Totonho (www.jornalmomento.blig.ig.com.br)

Longe do discurso de educação transformadora e muito mais próxima dos discursos da feira de domingo. Assim podemos definir a atual filosofia educacional da Universidade Veiga de Almeida e, em resumo, declarar com certeza: A UVA está dando banana para a educação.

Mês passado fui convidado a apresentar meu projeto de monografia em Congresso Internacional, a realizar-se a partir de amanhã, em Porto Alegre-RS (www.pucrs.br/ffch). Já que enviei o trabalho como aluno da UVA - Cabo Frio, seria natural que buscasse a mesma instituição para que ajudasse nas despesas, o que é prática comum em todas as Universidades (a Ferlagos fez isso mês passado). Ademais, o nome da instituição estaria sendo divulgado, mas qual não foi minha surpresa em ouvir de um membro da Instituição que “Não há chances, pois a UVA não ajuda nem professores em Congressos, quanto mais alunos”. Imediatamente mandei e-mails para a Reitoria da UVA, bem como uma carta, insistindo na questão por não acreditar em tal descaso. Não obtive resposta.

O que se discute aqui, caros leitores não é a questão financeira. A questão é a justiça. O que se discute aqui não é o fato de não ter meu trabalho apoiado pela Instituição. É o fato de NENHUM aluno e NENHUM professor obter tal apoio. O que revolta é o fato dessa atitude de incentivo à evolução intelectual não fazer parte da Filosofia Educacional da Universidade. Uma Universidade que obriga os alunos a cursarem a matéria “empreendendorismo” não tem visão empreendedora, pois boa margem de lucro publicitário poderia brotar com o patrocínio de alunos e professores congressistas. Será que faltam verbas? A UVA cobra estacionamento dos alunos, tem uma das mensalidades mais caras da cidade e ainda possui Projeto de Lei que a declara de Utilidade Pública Municipal tramitando na Câmara Municipal de Cabo Frio, o que, sendo aprovado, isenta a Instituição de impostos municipais. Não falta dinheiro: Falta ética, sobra veneração ao lucro. E que se danem professores e alunos, o importante é receber mensalidade, pagar salários e emitir diplomas (pagando taxa à parte por tal serviço, claro). E banana para a educação.

Dito isso pacientes e jovens leitores, amanhã embarco para o Congresso, sob protesto, declarando que usarei os primeiros minutos de minha comunicação para salientar que ali estou sem ter ajuda nenhuma da minha Instituição de Ensino. Iniciarei apresentando à comunidade acadêmica ali presente um retrato daquilo que não deve ser seguido: A filosofia educacional da UVA, que, se existe, é na verdade uma gorda contribuição na lenta morte educacional do nosso País. Banana para a UVA – Cabo Frio, porque a UVA dá banana para a educação.

Rafael Peçanha de Moura
Aluno do curso de História da UVA – Cabo Frio

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

ARTIGO...

TROPA DE ELITE
Publicado no Jornal "Folha da Cidade", edição da 1a quinzena de outubro
"Nas escolas, nas ruas, campos, construções”, em cada esquina da cidade não se fala de outra coisa: O filme TROPA DE ELITE, que, pirateado muito antes de seu lançamento, é como as previsões da Mãe Dinah: Faz a gente saber de uma coisa que ainda não aconteceu, mesmo que ela vá acontecer de uma maneira diferente da que a gente soube.

Enquanto no Rio a repressão anda a meia-bomba, aqui a liberdade do informal está à bomba inteira: A feira de domingo em Cabo Frio estampa por todos os lados cópias inúmeras do filme, com diversidade criativa de capas, do vendedor de tapioca ao verdureiro.

Há de se fazer justiça: O filme é estupendo na qualidade e, além do mais, nós, o povo, somos seus inspiradores. Seria muita sacanagem com o moleque da favela obrigá-lo a comprar um DVD de 30 pratas ou pagar um cinema pra ver um filme que, se não fosse ele, nunca teria existido: As comunidades de periferia são os verdadeiros roteiristas desse DVD. Além do mais, o tráfico na favela é ilegalidade do comércio, enquanto o BOPE e seus métodos são a ilegalidade da ação policial. Reprimir a ilegalidade, a pirataria do filme, numa produção que fala sobre a ilegalidade de uma sociedade, parece ser uma hipocrisia dessa nossa sociedade mais que ilegal, com esse nosso Congresso mais do que pirata e nossas autoridades que mais parecem cópias de fundo de quintal.

O filme tenta ser parcial mas o povo não: Os heróis acabam sendo os “caveiras” do BOPE e a criançada não pára de imitar as cenas do Capitão Nascimento pelas ruas da cidade. Os métodos de repressão violenta do Batalhão viraram assunto nos bares; o “desiste 01!” do curso para a corporação virou grito de torcida. Professores da cidade vêm estudando a possibilidade de aplicar o método da granada do curso do BOPE em suas salas de aula... não há como fugir da certeza de que cada grupo cria seus heróis: “Quase Dois Irmãos” e “Cidade de Deus” manifestam exatamente como o tráfico e as favelas fabricam seus líderes carismáticos, ao passo de que “Tropa de Elite” mostra a criação dos líderes do lado policial. Os métodos são os mesmos, semelhantes ao Integralismo dos Camisas-Verdes: Símbolos próprios (o sigma dos integralistas; as siglas das facções; a caveira do BOPE); gritos de guerra (o anauê dos integralistas; o “é nós”/ “é a gente” das facções; o “caveira” do BOPE); e principalmente a fixação nas mentes dos membros de que aquele grupo é superior.

Mas a pergunta acaba sendo: De que lado queremos ficar ? Quem são nossos heróis ?

Talvez não queiramos heróis. Talvez só queiramos paz. Não aquela paz das passeatas que dizem “CANSEI” ou aquela paz das camisas brancas e bandeiras nas janelas. Nem BOPE nem tráfico. Talvez nós queiramos mesmo deitar no sofá e assistir filmes e o Jornal Nacional, para no dia seguinte voltarmos ao trabalho tranqüilamente. Talvez nós queiramos discutir o assunto nos bares e retornarmos aos nossos lares sem preocupações. Talvez seja melhor assim: A gente põe uma camisa branca, vai pra rua e fala que cansou, aí a consciência fica tranqüila. Depois, é só deixar o Governo cuidar disso, afinal, eles têm feito isso muito bem. Domingo a gente vai pra Igreja, reza pela paz no mundo e depois vai pro churrasco. É só esperar que a paz chega. Mesmo que a gente não tenha a mínima noção do que ela seja. Mesmo que a gente não tenha a mínima vontade de fazer com que ela apareça.

sábado, 22 de setembro de 2007

Novidade pintando...

CHEGOU A HORA!!












Neste domingo estréia a Coluna "JUVENTUDE TEM VOZ", no Jornal DOMINGO DOS LAGOS, que chega às bancas já no sábado. Pela primeira vez a juventude cabo-friense terá um espaço reservado na imprensa da cidade para debater os mais diversos assuntos de seu interesse e poder colocar a boca no trombone à vontade.


Neste Domingo: "... a pergunta é: ONDE ESTÁ A NOSSA VOZ? Com exceção ao Grêmio do Rui Barbosa, não vemos nenhuma das entidades estudantis presente nas ruas, buscando seus direitos..."


Confira no Domingo dos Lagos deste fim-de-semana !

sábado, 8 de setembro de 2007

ARTIGO...



O BLOQUINHO



Publicado no Blog do Totonho em 06/09/2007

Já é hora de poro Bloco na rua? Depende...ainda falta muito para o carnaval 2008 e para a sucessão presidencial de 2010 nem se fale... mas se o apressado come cru, o vagaroso nunca chega. Então talvez seja já necessário preparar os tamborins, ajeitar o couro do repiques e afinar os cavaquinhos: Chegou o Bloco de Esquerda!

A Diretoria já está eleita e a feijoada de inauguração já rolou em São Paulo esses dias. Unindo diversas agremiações, o Bloco quer se articular nos próximos anos, mas sem sair pra rua: Quer mesmo é se preparar para o carnaval de 2010, quando rodará todas as ruas do Brasil terminando em Brasília, numa grande festa no Planalto, com direito a Cozido de xuxu, caldeirada de frutos de mar (a lula não esta confirmada) e muita alegria. O Jornal Valor de 04/09 deste ano chamou-o de “Bloquinho”. Acho que não. Bloquinho é de anotação. Às vezes até de anotação jornalística.


Em Cabo Frio, uma filial do Bloco de Esquerda também se prepara, mas tem que correr, pois os desfiles já estão marcados para o carnaval do ano que vem... várias agremiações se articulam para marchar nas ruas de Cabo Frio (sempre pela pista da esquerda): O Bloco do Leão já está se agitando no comando, enquanto a Pomba da Paz e o Bloco Verde estão estudando a proposta. A Unidos do Sol também está animada e muita gente boa pode vir pra linha de frente. Mas os trabalhos precisam acelerar: O Carnaval do ano que vem está próximo e nosso Bloco não pode se fechar: Tem que aderir a novos (ou antigos) amigos, sem ser engolindo por eles, firmando compromisso de cooperação e divisão igualitária de tarefas: Um com a bateria, outro com as cervejas, outro com as finanças... para sermos campeões no carnaval, teremos que abrir nossos braços a outros Blocos que, como nós, também não concordam com a hegemonia do Carnaval na cidade e que, embora pensem diferente, têm um objetivo comum: Querem o novo! Tem bloco na cidade com muita gente, mas pouco nome...então de que adianta lançarmos nossa agremiação com muito nome, mas pouca gente? Vamos unir forças! Não dá mais é pra aceitar o Bloco do Amigo novamente reprimindo o carnaval e mandando todo mundo colocar a viola (ou a cuíca) no saco.

Poderíamos terminar lembrando e comparando nossos Blocos de Esquerda com articulações das antigas: A Frente de Mobilização Popular de Brizola e até a Aliança Liberal de Getúlio. Mas não faremos isso. Nada de saudosismo. O Bloco de Nostalgia vai descansar neste Carnaval. Chegou a hora do Bloco do Novo. Chegou a hora de um Carnaval de verdade.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

ARTIGO... (de volta, atendendo a pedidos)


AMIGOS DA ESCOLA, CRIANÇA ESPERANÇA...

Publicado no Blog do Totonho (http://www.jornalmomento.blig.ig.com.br/) em 03 de agosto de 2007, no Jornal Folha dos Lagos em 18 de agosto de 2007 e no Jornal Tribuna dos Municípios em 28 de agosto de 2007






Recentemente assistimos na Novela “Paraíso Tropical” uma cena intrigante: A personagem de Gabriela Duarte recrutava pessoas para um trabalho semelhante ao “amigos da escola”, isto é, trabalho voluntário em Escolas Públicas. Um dos presentes protestou e se negou ao serviço. No final, os que ficaram para o voluntariado foram apresentados como os mocinhos, e os que protestaram, os vilões.

Quem faz trabalho voluntário com um braço mas com o outro não cobra das autoridades a abertura de concurso para contratação de funcionários, a fim de executar tal trabalho, continua prejudicando a sociedade, pois permite que o dinheiro público, oriundo de nossos impostos, continue a não ser empregado em benefício da população. O voluntariado não pode ser uma desculpa para a nossa covardia em enfrentar as autoridades, a fim de cobrar políticas públicas. Ademais, não é nada democrático uma rede de televisão taxar as pessoas contrárias a um programa que ela mesma criou como os vilões da história. A imprensa que cobra liberdade de expressão é a mesma, nesse caso específico, que tira a liberdade de opinião.

Em nossa cidade temos claro exemplo disso no Colégio Ismar Gomes, onde alunos têm escala de faxina nas manhãs de sábado, já que não há funcionários para limpeza do Colégio. Pasma-me um Ministério Público, que vive a procurar minúcias cinematográficas em Órgãos e Funcionário Públicos de nossa cidade, não tomar uma atitude contra tal absurdo (será que vão pedir meu depoimento por estar escrevendo isso???). Atitudes voluntárias como a desses alunos tem intenção nobre e merecem aplausos, mas, no outro gume da faca, servem para manter inertes aqueles que deveriam arcar com esta responsabilidade. Nós estudantes devemos ser duros: Se não recebemos condições para estudo, é simples: Não vamos estudar! Greve geral dos estudantes! Paralisação, protestos, passeatas! Estamos em posição de superioridade diante das autoridades, pois estas, além de receberem o poder de nossas mãos, possuem uma dívida nesse contrato social: Falta-lhes cumprir sua parte, porque nós pagamos nossos impostos. Não podemos ser como um credor que teme seu devedor.

Recentemente recebi ainda proposta de uma rifa, promovida por um grupo de professoras para ressarcir o dinheiro que gastaram para comprar um computador novo para sua escola pública, já que a única máquina da escola havia pifado. Recusei-me a comprar, até que o mesmo grupo fosse à Prefeitura e à Secretaria Municipal de Educação para exigirem um novo computador. Mascarar submissão e medo com frases belas e lágrimas só ajuda a acomodar os acomodados e enriquecer os enriquecidos.

Encerrando o assunto, chega a enésima temporada do Criança Esperança. Por que ligar e doar R$ 5,00 para ajudar (talvez) uma criança do Nordeste nos faz mais felizes do que dar um prato de comida a uma criança da periferia de Cabo Fio ? Por que nos emociona colaborar com uma campanha nacional mas não nos toca o coração adotar uma criança?

Há denúncias de que a Rede Globo usaria tais doações para abatimento de imposto, como se fossem doações dela ao UNICEF, e não do povo. Não há nada oficial comprovando que os programas desenvolvidos pelo UNICEF, apresentados em vídeos na Rede Globo, são provenientes do dinheiro da campanha. Será que ajudamos somente para “ficar com a consciência limpa”, sem nos importar, de fato, se estamos melhorando a vida de alguma criança ?

“Depende de nós,quem já foi ou ainda é criança”. Sim, depende de nós cobrarmos às autoridades que cumpram seus deveres. Depende de nós cobrarmos o uso devido do dinheiro púbico em nosso benefício, em benefício do povo. Depende de nós unirmos o voluntariado à função fiscalizadora e mobilizadora que é dever do eleitor. Depende de nós estender uma mão a quem precisa, mas com a outra apontar aqueles que tem o dever de resolver o problema e se omitem. Depende de nós, estudantes, cruzarmos os braços e esvaziarmos já as salas de aula que não nos oferecem condições de ensino e as escolas que não apresentam estrutura para a educação. Depende de nós, porque “hoje é um novo dia, de um novo tempo, que começou...”

Migalhas...

* Uma nova composição política está esquentando o clima das Eleições Municipais de 2008...é a Coligação "Loucos por Cabo Frio":



* Diana do Sinal das Sendas (foto acima) viria como candidatíssima a Prefeita, tendo como Vice o Animal de Cabo Frio (foto abaixo), que busca trasnferência do domicílio eleitoral por ser argentino.

* Diana tem como base eleitoral os estundantes da UVA, enquanto o Animal buscaria seus votos de dia na orla da Praia do Forte e à noite no Cilada. A Chapa já começa a buscar candidatos à Câmara Municipal que tenham o mesmo perfil, e ontem um novo personagem político já começou sua pré-campanha por essa vaga na coligação. Quem buscou o sol e o mar na Praia do Forte ontem já pôde vê-lo em ação:


* É o Pantaleão de Cabo Frio, Catador Dançarino que, entre uma lata e outra, recolhia também a admiração dos presentes com sua dança inovadora, misturando Tai-Chi-Chuan, Yoga, Boxe e Funk.


* O pré-candidato impressionou ainda por seus óculos semi-escuros, isto é, com lente apenas do lado direito, estando o olho esquerdo destampado. Segundo o rapaz, "é para que a direita não enxergue o que a esquerda vê"...

sábado, 25 de agosto de 2007

Contos...


A Prima Lívia

Conto premiado no Concurso Literário da Revista Piauí (www.revistapiaui.com.br)


“Os pêlos do tornozelo dele grudaram na colcha de chenile” – lia o maroto adolescente à espera do famigerado coletivo 260 que o levaria de volta ao lar, após fatigante jornada minuciosa de estudos. A revista, de certo, nada tinha de didática ou científica – essas são caras, e não cabiam na mente e no bolso dotado de R$ 4,40 do pequeno mancebo. Para alimentar o gosto voraz pela leitura, sobravam-lhe cerca de duas pilas para filar o periódico baixa-renda mais atrativo da banca. E para sustentar o igualmente voraz desejo sexual que explodia, nada melhor que “As putinhas da Taquara”, gibi de contos eróticos com moralidade duvidosa e atrativos sexuais indubitáveis. Marcelo era seu nome. Mas que importa? Importava-lhe no momento descobrir o que afinal era aquela porcaria de colcha de chenile, informação que, ausente, prejudicava-lhe o entendimento daquela eretora história – ou erética história, talvez herética estória ou ainda erótica história, que seja. O fato é, que sem saber o que aquela trissilábica misteriosa significava, nada mais fazia sentido no mundo tarado-literário do rapaz.
- Mãe, o que é chenile ?
- Pergunta pro seu pai...
- Pai o que é...
- Estou indo para o futebol queridaaaaa...
E lá se vai a esperança depositada na ética familiar para a solução da antiética dúvida oriunda de conto sexual. Restava o amigo Aurélio, não o que com ele dividia as contas escusas da coleção de revistas pornográficas, mas aquele que, sorrateiro, dormia num canto escuro da estante da sala...
- Certidão...cetro...chateação...charada...chimarrão...
Decepção: O retorno de Jedi. Nem o famoso Aurélio, em edição popular de poucos reais, desvenda-lhe o mistério que trepava-lhe à mente. Restava-lhe um outro sócio de aventuras sexuais solitárias nas madrugadas: A Internet
- Wikipédia...não tem...Aurélio on-line...não tem...Michaelis Uol...não tem também...
Desespero. Como imaginar aquela deliciosa putinha da Taquara envolta em colcha de chenile – que se danem os pêlos do tornozelo dele – sem saber o que era chenile? Sua cartada final parecia mesmo ser a prima Lívia, vizinha, 5 anos mais velha, estudante de Letras: Ah, esta saberá!
Atravessa a calçada veloz e, ao tocar a campainha, uma doce e ofegante prima carrega-o a seu quarto em atrativos de refrigerante, tirando-lhe a roupa, a razão, a inocência e tudo mais que o garoto desejava começar a se livrar a partir daquela putinha da Taquara. E roçando os pêlos de seu tornozelo nas lisas coxas da prima, pôde pela primeira vez experimentar o que jamais sonhara em seus contos sádicos de poucas moedas. O movimento dos corpos ali deu o toque final daquela tarde e de muitas outras, dias seguidos, sob lençóis suspirantes de prazer. E nunca mais deixaram de se encontrar, sob a mesma e excitante fantasia da professora que seduz o aluno com dúvida semântica. E nunca descobriram o que era uma colcha de chenile.


Rafael Peçanha de Moura - Cabo Frio - RJ